O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os juros elevados no Brasil não podem ser explicados apenas pela situação fiscal do país e criticou o que chamou de “resposta fácil” para justificar a taxa básica em patamar elevado.
Em entrevista à Warren Investimentos divulgada nesta 2ª feira (15.jun.2026), Durigan disse que, embora o debate fiscal seja importante para a inflação e para a política monetária, não existe uma relação automática entre o aumento dos gastos públicos e os juros altos.
“O que me incomoda, muitas vezes, no debate brasileiro, onde o debate fiscal é um debate proeminente, é ter uma resposta fácil. Dizer: ‘é porque o governo gasta muito que nós temos juros altos’. Porque não é verdade essa resposta fácil”, declarou.
Segundo o ministro, o Brasil convive historicamente com taxas de juros elevadas, inclusive em períodos em que registrava superavits fiscais. “Se você fizer um esforço fiscal de 4 ou 5 pontos percentuais, a taxa de juros melhora? Será que melhora? Essa é uma pergunta em aberto, não é uma relação direta de causa e efeito”, afirmou.
Durigan disse que sua prioridade é fazer “o maior esforço fiscal possível” e citou propostas defendidas pela equipe econômica, como o fim da desoneração da folha de pagamentos, a revisão de incentivos tributários e mudanças em créditos presumidos de PIS/Cofins.
O ministro também afirmou que a relação do Ministério da Fazenda com o Congresso Nacional tem sido marcada por “abertura e diálogo” nos últimos anos. Segundo ele, a proximidade foi decisiva para o avanço de medidas como a reforma tributária e iniciativas voltadas ao equilíbrio das contas públicas.
Ao comentar projetos com potencial impacto fiscal em tramitação no Legislativo, Durigan disse que o governo precisa construir soluções levando em conta a correlação de forças no Congresso e o avanço do calendário eleitoral, que tende a ampliar a pressão dos parlamentares por medidas voltadas às suas bases eleitorais.
