O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a redução do desmatamento na Floresta Amazônica “põe por terra, definitivamente, a acusação injusta dos Estados Unidos”. Ele se refere à proposta de nova taxação de produtos brasileiros pelo governo do presidente Donald Trump (Republicano).
A declaração foi feita nesta 5ª feira (11.jun.2026), durante a apresentação dos dados sobre o desmatamento no Brasil, na OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), em Brasília. Segundo os novos dados do sistema Deter, houve uma redução de 64,1% na desflorestação amazônica em maio de 2026 ante maio de 2025.
Em 1º de junho, o governo Trump propôs uma nova taxa de 25% aos produtos brasileiros. Segundo o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês), o Brasil adota práticas comerciais desleais. Eis a íntegra (PDF – 915 kB).
Eis as alegações dos Estados Unidos:

Capobianco disse que os números apresentados pelo Deter são “claros, auditáveis, técnicos e de altíssima qualidade”. Segundo ele, organizações estrangeiras e outros governos podem conferir e analisar os dados disponíveis.
Sobre a acusação de que o Brasil está exportando madeira ilegal para baratear os produtos, o ministro declarou que há uma cadeia de custódia que faz o “devido acompanhamento” de tudo o que é extraído da floresta.
Em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que terá de “pegar os dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos” –em referência a Jamieson Greer, representante comercial norte-americano.
Questionado sobre como será o envio dessas informações, Capobianco disse que “os dados são abertos” e que serão usados pelo Ministério das Relações Exteriores nas conversas com os Estados Unidos.
“Os dados não foram feitos para responder a nenhum governo, é algo que o governo brasileiro faz periodicamente”, disse.
O ministro afirmou que dados do Prodes (sistema medidor oficial do desmatamento brasileiro) já haviam sido apresentados aos Estados Unidos em reuniões técnicas sem a presença do presidente Lula, realizadas em Washington.
“Nunca tínhamos passado por um episódio como esse, de um país afirmar que estamos provocando o desmatamento para que nosso produto fique mais barato”, declarou.

