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Lula sugere que terras demarcadas sejam usadas para turismo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta 4ª feira (10.jun.2026) que terras demarcadas e reservas florestais sejam utilizadas para impulsionar o turismo sustentável no país. A declaração foi feita durante cerimônia no Palácio do Planalto em que o governo anunciou um pacote de medidas ambientais, incluindo bilhões de reais em investimentos para restauração florestal, preservação da biodiversidade e combate às mudanças climáticas. 

Entre os anúncios, estão R$ 834 milhões do Fundo Clima para projetos de recuperação da vegetação nativa, R$ 393 milhões destinados à iniciativa Restaura Amazônia, uma doação de R$ 370 milhões ao programa Arpa Comunidades e a formalização do repasse de R$ 270 milhões do Reino Unido ao Fundo Amazônia. O governo também lançou o Programa Recaatingar, que contará com aporte inicial de R$ 60 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Banco do Nordeste.

Ao comentar as medidas ambientais, Lula afirmou que o Brasil recuperou credibilidade internacional na área ambiental e defendeu que as terras indígenas demarcadas e as reservas florestais também sejam utilizadas para impulsionar o turismo sustentável.

Segundo o presidente, as áreas protegidas não devem permanecer isoladas da população e podem gerar recursos para financiar sua conservação e beneficiar as comunidades responsáveis por sua manutenção.

“Você não vai demarcar uma mata para deixar ela presa sem ninguém visitar. Nós temos que criar condições para que essas reservas florestais possam gerar dinheiro para manter as pessoas que tomam conta delas e atrair muita gente”, afirmou.

Lula também sugeriu campanhas para incentivar brasileiros a conhecerem a Amazônia e outros biomas nacionais. O presidente questionou por que universidades, empresários e governos estaduais não promovem mais iniciativas para estimular o turismo ambiental e aproximar a população da biodiversidade brasileira.

“Por que a gente não faz uma campanha da nossa Amazônia, da nossa floresta, para a juventude que gosta de ir para Miami passar pelo Amazonas e conhecer o que é a floresta?”, declarou.

Para o petista, a ampliação da visitação em áreas protegidas pode fortalecer a conscientização ambiental, gerar renda para comunidades locais e aumentar o apoio da sociedade às políticas de conservação. Lula afirmou que as terras demarcadas devem cumprir uma função social mais ampla e servir como instrumento de valorização do patrimônio natural brasileiro.

“Nós temos a obrigação de fazer isso para que as terras que a gente demarque tenha utilidade para o povo brasileiro”, disse.

A cerimônia que também marcou a criação e ampliação de unidades de conservação, a regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais e a sanção da lei que institui a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga.

RESTAURAÇÃO FLORESTAL

A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que os investimentos anunciados representam uma nova etapa da política de restauração florestal no Brasil. Segundo ela, os R$ 834 milhões liberados pelo Fundo Clima devem mobilizar aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos totais, considerando os aportes das empresas participantes dos projetos.

Campello disse que o país reúne condições para se tornar referência mundial na recuperação de florestas nativas por contar com áreas degradadas disponíveis para restauração, capacidade científica, conhecimento técnico e interesse crescente do setor privado. 

De acordo com a diretora, os projetos apoiados envolvem a reconstrução de florestas nativas e a geração de produtos ligados à bioeconomia, além da captura de carbono e da recuperação da biodiversidade.

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