O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, disse nesta 4ª feira (10.jun.2026) que deve se reunir com o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), Jamieson Greer, até o fim desta semana. O encontro deve tratar das novas tarifas anunciadas por Washington a produtos brasileiros. A declaração foi dada a jornalistas durante a 7ª plenária do CDESS (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), no Itamaraty.
A reunião se dá em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em 28 de maio, o governo norte-americano anunciou que o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) passariam a ser considerados organizações terroristas. Posteriormente, Washington sinalizou a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Encontro de Lula e Trump
Ao comentar as relações entre os 2 países, Márcio Elias afirmou também que uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), durante a cúpula do G7, não deve acontecer.
“O Brasil é convidado, então a delegação é mais restrita. Não dá para fazer uma turma”, declarou.
O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Sidônio Palmeira, disse que, embora não haja encontro marcado entre os chefes de Estado, uma conversa pode acontecer de maneira informal, “como foi na Malásia”.
Lula e Trump se encontraram pessoalmente pela 1ª vez em outubro de 2025, durante a 47ª cúpula de chefes de Estado da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), quando conversaram por cerca de 45 minutos.
Os presidentes voltaram a se reunir em 7 de maio de 2026 e conversaram por aproximadamente 3 horas. Apesar de tratarem de temas ligados à segurança e ao combate ao crime organizado, Lula não abordou a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que Lula tem “disposição” para conversar com Trump sobre as sanções e as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
CONSELHÃO
O Conselhão foi criado por Lula em seu 1º mandato (2003-2006) para garantir a participação de diversos setores da sociedade no governo. Ele foi extinto em 2019, pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).
A 3ª gestão do petista recriou o colegiado no início do governo, em 2023, com o objetivo de ser um canal de diálogo direto entre o Executivo e a sociedade.
