O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu nesta 4ª feira (10.jun.2026) que os ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial sejam compartilhados com os trabalhadores. A declaração foi feita durante discurso na 114ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) em Genebra, na Suíça.
Marinho afirmou que o relatório do diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, sobre inteligência artificial e trabalho decente, traz um. Segundo o ministro, o documento acerta ao afirmar que o avanço tecnológico “não é uma força irresistível” e que seus efeitos sobre o mercado de trabalho dependerão de escolhas políticas, do fortalecimento das instituições e da eficácia do diálogo social. Leia a íntegra do relatório, em inglês (PDF – 2,12 MB).
O relatório destaca o potencial da inteligência artificial para ampliar a produtividade e melhorar serviços públicos, mas também aponta riscos ao mercado de trabalho. Entre eles estão a intensificação das jornadas, o aumento da vigilância digital, a perda de autonomia dos trabalhadores, impactos na saúde mental e o aprofundamento de desigualdades entre trabalhadores, empresas e países.
No discurso, Marinho disse que o Brasil compartilha dessas preocupações. Segundo ele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tratado o tema de forma interdisciplinar e o Ministério do Trabalho desenvolve iniciativas de qualificação profissional voltadas a grandes e pequenas empresas.
“Não podemos permitir uma automação em que a máquina dite as regras de um ser humano, se torne um mero executor desprovido de autonomia”, declarou.
JORNADA DE TRABALHO
O ministro afirmou que os ganhos gerados pela inteligência artificial e pela automação não devem beneficiar apenas a concentração de capital. Segundo ele, “a forma mais justa de distribuir essa riqueza tecnológica” é garantir salário digno, acesso à tecnologia e mais tempo livre aos trabalhadores.
Marinho associou o debate à proposta que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial e extingue a escala 6 x 1, com pelo menos 2 dias de descanso por semana.
Segundo o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) deverá ser encaminhada à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado na próxima semana.
Para o ministro, a discussão dialoga com o relatório da OIT ao abordar temas como saúde mental, descanso, convivência familiar e qualidade de vida.
“A tecnologia deve trabalhar para libertar o ser humano, não para escravizá-lo a uma lógica de vigilância ininterrupta e exaustão física e mental”, afirmou.
SINDICATOS E DIREITOS
Marinho também citou a adoção, no Brasil, de uma norma voltada à gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
O ministro declarou que crescimento econômico e direitos trabalhistas são compatíveis e afirmou que o Brasil criou 5 milhões de empregos formais nos 3 anos e meio do governo Lula.
Também defendeu o fortalecimento dos sindicatos, da negociação coletiva e da democracia.
“Não há justiça social onde as instituições são enfraquecidas e onde a voz dos trabalhadores é silenciada”, disse.
Marinho encerrou o discurso defendendo a criação de diretrizes internacionais para assegurar que o avanço tecnológico resulte em “emancipação social, equidade e trabalho decente para todos e todas”.
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