O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) bloqueou R$ 461,7 milhões do orçamento do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) em 2026, segundo dados do Painel do Orçamento Federal do Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento). A medida vem a poucas semanas do período em que o El Niño pode começar a influenciar o clima no Brasil.
O orçamento inicial do programa era de R$ 1,01 bilhão. O valor já havia sofrido corte definitivo de R$ 25 milhões, reduzindo o total para R$ 991,1 milhões. Agora, 45,6% desse montante está bloqueado e não pode ser utilizado imediatamente para a concessão de subsídios ao seguro rural.
O bloqueio no PSR representa cerca de 59% dos R$ 788 milhões contingenciados no Mapa. A contenção atingiu programas de fomento ao setor agropecuário, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e ações da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Por meio do programa, o governo subsidia parte do custo do seguro agrícola contratado pelos produtores rurais, reduzindo o valor das apólices que protegem lavouras contra perdas provocadas por eventos climáticos. O bloqueio não é definitivo, mas repete movimento registrado em anos anteriores. Em 2025, 40% da verba do programa foi bloqueada. Em 2024, o percentual chegou a 42%.
Dados do ministério mostram que o número de apólices caiu de 82.000 em 2021 para 26.000 em 2025, recuo de 68,3% em 4 anos. Em 2026, a redução dos recursos preocupa ainda mais o setor diante da possibilidade de formação do El Niño.
Segundo projeções do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e da OMM (Organização Meteorológica Mundial), o fenômeno tem alta probabilidade de se formar entre junho e agosto e mais de 90% de chance de permanecer ativo até novembro.
O El Niño altera o regime de chuvas e temperaturas em importantes regiões produtoras do país. O fenômeno pode elevar o risco de seca em algumas áreas e de chuvas excessivas em outras, afetando a produtividade agrícola.
No mercado de commodities, problemas climáticos podem provocar quebras de safra, reduzir a oferta de produtos e pressionar os preços.
O cenário se soma à alta dos combustíveis e dos fertilizantes, associada à guerra no Oriente Médio, além do elevado endividamento dos produtores rurais, que se preparam para o Plano Safra 2026/2027 em meio a incertezas.
Contenção de gastos
O bloqueio foi registrado pelo Siop na 3ª feira (9.jun.2026). A medida integra a contenção de R$ 23,7 bilhões anunciada pelo governo em 30 de maio para cumprir as regras do arcabouço fiscal.
O governo definiu o valor total do bloqueio e os ministérios afetados, mas cada pasta ficou responsável por indicar onde faria os cortes. O Painel do Orçamento Federal registra a contenção na ação “Concessão de Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural”.
Pressão do Congresso
A redução dos recursos acontece em um momento em que a bancada ruralista tenta avançar com um projeto para modernizar o seguro rural, ampliar a cobertura e dar mais previsibilidade aos produtores para a safra 2026/2027. O texto foi aprovado pela Câmara em 27 de maio e aguarda análise do Senado.
Na 3ª feira (9.jun), antes da confirmação do bloqueio, integrantes da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) cobraram do ministro da Agricultura, André de Paula, a preservação dos recursos do programa.
Depois da confirmação da medida, congressistas passaram a defender a convocação de ministros para prestar esclarecimentos sobre a decisão.
A Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) também pediu a reversão do bloqueio.“Essa redução drástica nas contratações coloca a atividade rural em risco no Paraná e no Brasil, em especial diante das recorrentes intempéries climáticas. Sem seguro, a produção de alimentos fica descoberta, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto”, afirmou a entidade.
