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Desgaste com os EUA é tema central de reunião de Lula com o Conselhão

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O CDESS (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável) se reuniu, nesta 4ª feira (10.jun.2026) para a 7ª plenária. Entre as autoridades presentes, estava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tratou de segurança pública e política externa –como as tensões com os Estados Unidos. O Conselhão, como é conhecido, inclui ministros, congressistas, empresários e a sociedade civil para debater as metas de desenvolvimento do Brasil. 

“Preciso que me apresentem um estudo urgente do que ganha um trabalhador americano. A última imputação de taxa que colocaram para nós, não temos que aceitar por dignidade e respeito ao que fazemos aqui pelos trabalhadores brasileiros. Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor financeiro de não sei das quantas impor multa”, disse Lula na cerimônia de abertura do encontro, realizada no Itamaraty. 

O petista se refere ao documento do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) que lista como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Eis a íntegra (PDF – 915 kB).  

Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Itamaraty tem “atuado com firmeza e visão estratégica de proteção dos interesses comerciais brasileiros diante das sanções injustificadas aplicadas contra o Brasil”

Ainda sobre a política externa do Brasil, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a economia “dá sinais positivos apesar dos problemas da relação dos Estados Unidos com o Brasil”. 

O ministro se referiu, principalmente, às recentes tensões entre o governo norte-americano e o brasileiro, causadas pelo anúncio da classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, além do anúncio de possíveis novas taxações a produtos brasileiros. 

Dario Durigan (Fazenda) também tratou das relações do Brasil com outras nações. Segundo ele, o país é visto como uma “liderança”. Declarou: “O Brasil não abaixa a cabeça para ninguém. A gente defende a nossa política econômica para o mundo. Todos os países reconhecem a importância e liderança do Brasil em todos esses debates, como o econômico, ambiental e no setor de combustíveis”.

Em seu discurso, o ministro também afirmou que o combate ao crime organizado é uma prioridade. Segundo ele, uma das ações estratégicas mais eficientes é a asfixia financeira. A medida é defendida pelo governo, que chegou a destinar R$ 388,9 milhões no âmbito do Programa Brasil Contra o Crime Organizado para este fim. 

Ao tratar da atuação do Conselhão, Guimarães afirmou que o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio foi criado a partir de uma sugestão do CDESS. O tema é um dos eixos abordados na 7ª plenária. São eles:

  • enfrentamento ao feminicídio, promoção da igualdade e fortalecimento da segurança pública; 
  • desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica; 
  • pilares do projeto de nação e contribuição do Conselhão para o projeto de Brasil. 

CONSELHÃO

O Conselhão foi criado por Lula em seu 1º mandato (2003-2006) para garantir a participação de diversos setores da sociedade no governo. Ele foi extinto em 2019, pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).

A 3ª gestão do petista recriou o colegiado no início do governo, em 2023, com o objetivo de ser um canal de diálogo direto entre o Executivo e a sociedade.

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