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Nunes Marques leva decisão sobre AtlasIntel para julgamento nesta 3ª

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

Depois de decidir suspender liminarmente a pesquisa AtlasIntel que indicou a queda de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kássio Nunes Marques, encaminhou a decisão para o referendo da Corte. Agora, caberá ao plenário analisar na 3ª feira (9.jun.2026) se a pesquisa afrontou as regras da legislação eleitoral.

O cerne da controvérsia é a metodologia adotada pelos pesquisadores, que associa a intenção do eleitor a fatos cotidianos —no caso, a pesquisa mencionava conversas em que o congressista pede dinheiro a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para a realização do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na decisão, Nunes Marques acolheu um pedido do PL, considerando que há indícios de que o questionário da empresa tenha tentado manipular o entrevistado. O ministro determinou a suspensão da divulgação da pesquisa nos sites oficiais e exigiu que a empresa explique sua metodologia em um prazo de 2 dias.

A decisão é liminar e atinge a pesquisa registrada sob o nº BR-06939/2026. O levantamento foi realizado de 13 a 18 de maio e divulgado em 19 de maio. Leia a íntegra da ação (PDF – 502 kB). 

metodologia

As pesquisas da AtlasIntel são feitas pela internet. A empresa recruta entrevistados com anúncios em sites e blogs de todo o Brasil, apresentando um questionário longo sobre as opiniões eleitorais.

Na pesquisa de 19 de maio, a AtlasIntel não mencionou o episódio das mensagens de Flávio a Vorcaro, mas estimulou o entrevistado a avaliar os pré-candidatos. O objetivo da empresa é estimular que a pessoa pessoa reflita e responda imediatamente sobre o cenário político.

Nada impede que perguntas sobre avaliação do cenário político sejam feitas antes ou depois do questionamento sobre intenção de voto. Mas, quando a ordem é invertida, pesquisadores consideram haver risco de interferência nas respostas sobre intenção de voto.

REFERENDO

O presidente do Tribunal submeteu a sua decisão ao referendo do plenário, que é composto por ministros como André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.

Desde a posse de Nunes Marques na Presidência, é a 1ª vez que o plenário vai se manifestar sobre tema relacionado às eleições presidenciais de 2026. 

REPRESENTAÇÕES

Logo depois de tomar posse como presidente do Tribunal, Nunes Marques determinou que a função de juiz auxiliar da propaganda eleitoral não ficaria restrita à ministra Edilene Lôbo —como decidido pela antecessora na Presidência, ministra Cármen Lúcia. O novo presidente passou a incluir ele e o vice-presidente do Tribunal, André Mendonça, na relatoria dos casos.

O processo sobre a suspeita de irregularidade na pesquisa só foi distribuído para o seu gabinete depois dessa nova conformação.

O QUE DIZ A ATLASINTEL

A AtlasIntel afirmou à imprensa que respeitará a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e disse estar colaborando com a Justiça Eleitoral. A empresa nega indução aos entrevistados e afirma que o questionário principal foi concluído antes de qualquer contato dos participantes com o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Leia a íntegra (PDF — 70 kB).

Segundo a AtlasIntel, o áudio foi usado só depois do encerramento das perguntas principais, em uma etapa separada e voluntária da pesquisa, por meio da ferramenta Atlas VRC, que mede reações a conteúdos audiovisuais.

A empresa diz que não houve viés político no estudo e afirma confiar que a análise técnica do TSE confirmará a legalidade e a robustez metodológica do levantamento.

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