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Reino Unido pressiona big techs a protegerem crianças de nudez

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer (Partido Trabalhista), deu prazo até setembro para que empresas de tecnologia adotem mecanismos capazes de bloquear imagens de nudez explícita em celulares e tablets usados por crianças. Caso as mudanças não sejam implementadas, o governo britânico promete apresentar uma lei para tornar a medida obrigatória.

A proposta foi anunciada nesta 2ª feira (8.jul.2026) durante o evento de tecnologia London Tech Week. De acordo com o premiê, a iniciativa tornaria o Reino Unido o primeiro país a impedir que crianças produzam, enviem ou recebam imagens de nudez por meio de dispositivos eletrônicos.

Segundo Starmer, companhias como Apple e Google devem ativar sistemas de detecção de nudez ou outras ferramentas que impeçam menores de registrar, compartilhar ou visualizar imagens sexualmente explícitas. Adultos continuariam podendo acessar esse tipo de conteúdo, desde que comprovem a idade.

Por muito tempo, as pessoas foram levadas a acreditar que crianças compartilhando imagens explícitas é simplesmente o preço da tecnologia moderna – que nada pode ser feito. Que o governo é impotente. Que os pais simplesmente têm que aceitar”, disse Starmer.

“Rejeito isso completamente, porque a tecnologia deve se adaptar às necessidades da sociedade, e não o contrário. Se levamos a sério o aproveitamento das oportunidades que a tecnologia pode trazer, também devemos levar a sério a prevenção daqueles que querem abusar dela –os predadores online”, afirmou o premiê britânico.

Starmer também afirmou que as empresas precisam agir para impedir o envio e o recebimento de conteúdo sexualmente explícito por menores: “É por isso que hoje estou apelando às empresas de tecnologia que operam neste país para que implementem controles que impeçam crianças de enviar e receber imagens sexualmente explícitas. Porque este não é um desafio impossível”.

DENÚNCIAS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL EM ALTA

A proposta surge em meio ao aumento das denúncias de exploração sexual infantil no Reino Unido. Segundo o governo, a Agência Nacional de Combate ao Crime recebe cerca de 1.700 denúncias por semana. No ano passado, nove em cada dez imagens de abuso infantil registradas no país foram produzidas pelas próprias vítimas, muitas delas enganadas ou coagidas por abusadores que conheceram na internet.

Os casos de aliciamento online também cresceram e chegaram a cerca de 7.000 por ano, de acordo com as autoridades britânicas.

A medida foi anunciada cerca de 1 mês depois de Jess Phillips (Partido Trabalhista) deixar o cargo de ministra da proteção infantil. Ela disse que o governo não avançava com ações para impedir que crianças produzissem imagens íntimas de si mesmas.

A proposta foi elaborada para atuar em conjunto com a Lei de Segurança Online, que obriga plataformas digitais a remover conteúdos ilegais ou prejudiciais a menores.

Atualmente, nem Apple nem Google oferecem um bloqueio de nudez aplicado a todo o sistema operacional. A Apple, porém, já exige verificação de idade para acesso a determinados serviços no Reino Unido. Já o Google passou a detectar e desfocar imagens de nudez em contas infantis, além de emitir alertas quando menores tentam abrir, enviar ou encaminhar esse tipo de conteúdo.