O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou, nesta 2ª feira (8.jun.2026), 2 casos adicionais de animais infectados pela mosca-varejeira-do-novo-mundo, sendo 1 no Estado do Texas e outro no Novo México. Com isso, sobe para 4 o número de casos confirmados (3 bovinos e 1 cachorro).
As infecções se dão depois de reduções orçamentárias do governo Donald Trump (Partido Republicano) terem diminuído programas de prevenção contra a disseminação da praga mortal. O avanço tem potencial de ameaçar a indústria pecuária e elevar o preço das carnes para o consumidor norte-americano.
INFECÇÃO
Considerada erradicada desde a década de 1960, a mosca-varejeira deposita ovos em feridas abertas ou aberturas corporais de animais de sangue quente. Representa risco alto para o gado, animais de estimação e selvagens. Em casos raros, pode ameaçar seres humanos.
Segundo a pasta, as larvas “podem causar ferimentos graves, sofrimento animal e prejuízos econômicos significativos se não forem detectadas e tratadas rapidamente”.
O USDA tem estabelecido quarentenas nas proximidades dos locais onde são detectados casos de infecção e implementado estratégias de vigilância.
CORTES
Em 2025, o Doge (Departamento de Eficiência Governamental), criado por Trump e chefiado pelo empresário Elon Musk, realizou cortes no financiamento de um projeto voltado ao monitoramento e contenção da praga na América Central.
Segundo a Forbes, o corte foi feito dias antes de os EUA encerrarem uma suspensão temporária das importações de gado provenientes do México.
Isso teria permitido que o gado cruzasse a fronteira sem nenhum dos monitoramentos que eram anteriormente financiados pela USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) —encerrada em 2026 pelo Doge.
Na nota que confirmou o 1º caso, na 4ª feira (3.jun), o USDA disse que “todos os modelos previam a entrada da mosca-varejeira-do-novo-mundo no país em 2025”.
Segundo Dudley Hoskins, subsecretário de marketing da pasta, “o trabalho árduo da administração Trump” atrasou a entrada da praga no país. Ele disse que o USDA “investiu muito” para conter as infestações desde que novos casos foram notificados no México e na América Central.
IMPACTO NA INDÚSTRIA
Os EUA estão com o menor número de rebanho bovino em 75 anos (cerca de 86,2 milhões de cabeças de gado e bezerros). Segundo o Federal Reserve Bank of St. Louis, o preço da carne bovina teve valorização de 75% desde setembro de 2020.
Um possível avanço da praga acende o alerta no setor. O número de animais aptos para comercialização poderia diminuir e resultar numa quantidade menor de carne bovina disponível no mercado.
Há também uma preocupação de que as ações de contenção possam levar o governo a estabelecer restrições amplas ao deslocamento de gado, afetando o número de animais.
Em nota, o USDA reiterou que “o abastecimento alimentar dos EUA permanece seguro” e disse que trabalha com parceiros no Texas e Novo México para identificar e conter casos potenciais.
