O Brasil planeja realizar sua 1ª emissão de títulos em yuan. São os chamados “panda bonds”, títulos de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras no mercado financeiro da China e negociados na moeda chinesa.
A expectativa é que a operação seja anunciada no final deste mês, durante viagem oficial do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a Pequim e Xangai marcada para ser realizada de 24 a 26 de junho. As informações são da agência de notícias Reuters, que ouviu duas fontes familiarizadas com o assunto.
Não se sabe quanto o governo brasileiro espera captar com os títulos em yuan. A operação, se concretizada, será feita 2 meses depois que o Tesouro Nacional retomou a emissão de títulos em euro. Na ocasião, vendeu 5 bilhões de euros em títulos soberanos para o mercado europeu.
A última vez que o Brasil emitiu títulos em euro foi em 2014. A demanda nessa operação somou cerca de 16 bilhões de euros –mais de 3 vezes o volume ofertado–, com participação de mais de 700 investidores.
A operação pioneira em moeda chinesa se dará em um momento de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, especialmente sobre o setor financeiro nacional. Uma emissão de títulos em yuan pode sinalizar aos norte-americanos uma inclinação brasileira à desdolarização e aumentar a pressão já colocada em forma de tarifas sobre o mercado brasileiro.
O QUE SÃO OS “PANDA BONDS”
Os “panda bonds” são títulos emitidos por empresas ou países estrangeiros em yuan. Tem esse nome pois títulos em moedas fora da zona do dólar e do euro costumam receber uma nomenclatura em referência a elementos distintivos do país. No caso chinês, o panda.
As principais vantagens de emitir os “panda bonds” são:
- acesso mais fácil ao mercado de títulos chinês e a investidores institucionais da China;
- diversificação da base de investidores, confiando na robustez da economia chinesa para ter uma alternativa ao dólar e ao euro;
- taxa de juros de emissão relativamente baixa (historicamente de 1,98% a 4,5%).
Mais de uma dezena de países e empresas já emitiram títulos de dívida em yuan. No Brasil, a pioneira dos “panda bonds” foi a Suzano, que realizou sua 1ª operação do tipo em 2024. Na época, captou 1,2 bilhão de yuans (cerca de US$ 168 milhões) com vencimento em 3 anos e uma taxa de anual de 2,80%.
AUTORIDADES NA CHINA
Durigan e sua comitiva não serão as únicas autoridades do campo econômico brasileiro a pisar em solo chinês no mês de junho. O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, desembarcou em Xangai nesta 2ª feira (8.jun.2026) e terá compromissos no país asiático até 5ª feira (11.jun).
Já na 3ª feira (9.jun), será realizado o Fórum de Cooperação Financeira Brasil-China em Pequim. Entre as autoridades brasileiras confirmadas estão:
- Mathias Alencastro, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda;
- Júlia Bragas, secretária de Acompanhamento Macroeconômico e de Políticas Comerciais do Ministério da Fazenda;
- Helder Silva, coordenador-geral de Cooperação Econômica Internacional do Ministério da Fazenda;
- Luciana Tito, diretora do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
