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Governo Lula diz que argumentos dos EUA para tarifas são ilegítimos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em entrevista à GloboNews nesta 4ª feira (3.jun.2026) em Paris (França) que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para aplicar o tarifaço contra produtos brasileiros “não são legítimos”

Mauro Vieira foi a Paris para a Reunião Ministerial da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), onde se encontrou brevemente com o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer.

De acordo com o ministro, Greer garantiu que os EUA “estavam tendo ótimas conversas com o Brasil”. Na sequência da conversa, Vieira disse que é interesse do governo brasileiro manter estas conversas, sobretudo depois do anúncio dos relatórios finais das investigações sobre a Seção 301.

O ministro afirma que os laudos foram apresentados antes do prazo de 30 dias estabelecido na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente norte-americano Donald Trump (republicano), realizada em maio em Washington (EUA).  

“O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há por que sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”, afirmou Mauro Vieira na entrevista.

TARIFAÇO NO BRASIL

O governo do presidente Trump propôs, na última 2ª feira (1º.jun) a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos de exportação brasileira. Leia a íntegra (PDF – 915 kB).

A medida foi apresentada depois de uma investigação comercial que concluiu o uso pelo Brasil de práticas consideradas “desleais e prejudiciais a empresas norte-americanas“, como o uso da ferramenta Pix.

A investigação é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que autoriza os EUA a aplicar tarifas e outras sanções em nações que pratiquem práticas comerciais consideradas abusivas. Jamieson Greer, afirmou que a investigação identificou as seguintes falhas brasileiras:

  • na proteção da propriedade intelectual;
  • no combate à corrupção;
  • no acesso ao mercado de etanol;
  • na fiscalização das leis de combate ao desmatamento.

Apesar da ampla gama de mercadorias afetadas, alguns produtos foram poupados, como 

  • alimentos e produtos agrícolas (carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palhas e forragens);
  • aviões e peças de aeronaves brasileiras; 
  • terras-raras;
  • produtos químicos orgânicos, produtos farmacêuticos e fertilizantes.

Antes que a tarifa entre em vigor, há um cronograma de audiências e consultas públicas para coletar depoimentos, estipulado pelos EUA. O prazo legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil é 15 de julho de 2026.

BRASIL ESCONDE DOCUMENTOS 

Enquanto os EUA mostram em público todas as suas demandas, o Brasil tem uma atitude pouco transparente e não mostra quais foram suas respostas, focando em declarações evocando soberania e patriotismo que não rebatem a acusação do alto grau de protecionismo da economia brasileira.

Os EUA mantêm transparência em suas ações comerciais formais por meio do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). Em sua plataforma online, o órgão detalha cada queixa técnica do processo aberto sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. As demandas norte-americanas estão disponíveis nos seguintes documentos oficiais:

O Brasil não divulgou a íntegra da resposta que enviou ao USTR para se defender na investigação da Seção 301. Só publicou uma nota à imprensa na qual relata formalmente que fez contestações técnicas à proposta. O Poder360 entrou em contato com o Planalto para saber o motivo da falta de transparência do governo no processo. Esta reportagem será editada caso uma resposta seja enviada a este jornal digital.