As exportações brasileiras de carne bovina atingiram 297 mil toneladas em maio, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), compilados com base em informações de comércio exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
O faturamento do setor no período foi de US$ 1,8 bilhão, avanço de 6,5% na comparação anual.
O resultado mensal foi puxado pela aceleração dos embarques para a China, que liderou as importações de carne brasileira com 157,6 mil toneladas, mais da metade do volume total exportado no mês pela indústria nacional. Na comparação com maio de 2025, houve alta de 39,6% nas vendas.
Os exportadores correm para vender o máximo possível para o país asiático antes que seja atingida a cota isenta de tarifas mais altas. A China é o principal destino da carne brasileira.
Em 31 de dezembro de 2025, o governo chinês anunciou a criação de cotas anuais de importação para empresas que compram carne de países estrangeiros. As importações de carne pelo país asiático são taxadas em 12%. Com a medida, o que exceder a cota de 1,1 milhão de toneladas imposta ao Brasil será taxado em 55%. Em 11 de maio, a indústria brasileira chegou à metade desse limite.
“O avanço das exportações para a China ocorre em um contexto de antecipação de embarques pelo mercado em razão da entrada em vigor das medidas de salvaguarda anunciadas pelo país para as importações de carne bovina”, afirmou a Abiec em comunicado ao mercado.
O 2º maior comprador da carne brasileira segue sendo os Estados Unidos, que importaram 28,8 mil toneladas em maio. O governo de Donald Trump (Partido Republicano) incluiu o produto na lista de mercadorias isentas da nova taxa de 25% que pode ser aplicada a produtos brasileiros a partir de julho. O alimento que vem do Brasil é estratégico para o abastecimento do mercado norte-americano.
Já a União Europeia, que pode vetar a entrada de proteínas do Brasil nos próximos meses, foi o 5º maior importador da carne brasileira no período, com 8.300 toneladas que renderam US$ 77,5 milhões aos vendedores nacionais.
O governo brasileiro enfrenta questionamentos dos europeus no setor de proteínas. Em 12 de maio, o bloco excluiu o Brasil da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos e, portanto, têm permissão para exportar para nações europeias.
A União Europeia declarou que o Brasil não fornece garantias sobre o cumprimento das exigências. O país tem até 3 de setembro para adequar seus produtos às novas regras regulatórias e evitar embargo às exportações.
No acumulado de 2026, o Brasil vendeu 43.000 toneladas ao bloco, com faturamento de US$ 377,2 milhões –alta de 24% na comparação com os 5 primeiros meses de 2025. Esse fluxo pode ser interrompido caso o veto da UE à carne brasileira se confirme.
ACUMULADO DE 2026
As exportações de carne bovina somam 1,3 milhão de toneladas no acumulado de janeiro a maio –alta de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita total de 2026 atingiu US$ 7,88 bilhões.
China e Estados Unidos são os maiores compradores em 2026. Os chineses já importaram 631,9 mil toneladas e os norte-americanos, 178,6 mil. As vendas para o país asiático cresceram 27,8% na comparação anual.
