O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (3.jun.2026), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, que o Brasil buscará novos parceiros comerciais caso os Estados Unidos reduzam compras de produtos brasileiros. Ao comentar a proposta de adoção de novas tarifas anunciada pelo governo norte-americano, disse que o Brasil não aceitará pressões externas nem abrirá mão de sua soberania.
“Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro”, declarou Lula a seus 38 ministros.
O presidente afirmou que o Brasil é “dono do seu próprio nariz” e que não pretende ceder diante das pressões de Washington. Também fez referência às reservas de minerais críticos e terras-raras. “Quem quiser explorar terras-raras aqui vai ter que falar com o governo brasileiro”, disse.
Dados do governo indicam que cerca de 21% das exportações brasileiras podem ser afetadas pelas novas tarifas. A equipe econômica avalia os impactos sobre setores que têm os Estados Unidos como um dos principais mercados consumidores.
O Brasil continuará tentando uma saída negociada e evita, por ora, discutir retaliações comerciais. A orientação dentro do Planalto é preservar os canais diplomáticos e buscar uma reversão da decisão por meio de diálogo entre autoridades dos dois países.
Lula afirmou que o governo brasileiro tentou manter o diálogo com os norte-americanos e criticou a justificativa apresentada para a adoção das tarifas. “Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a falar com os Estados Unidos”, declarou.
Segundo o presidente, a taxação foi baseada em “inverdades”. Ele disse ter sido surpreendido pela medida depois de reuniões realizadas com integrantes do governo dos EUA. “Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem, com a decisão dele”, afirmou.
O presidente voltou a falar que entregou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (partido Republicano), documentos sobre comércio, combate ao crime organizado, minerais críticos e cooperação internacional. Isso aconteceu durante reunião bilateral entre os dois em 7 de maio.
Disse ainda que pretende enviar uma nova carta ao republicano para contestar os argumentos usados pela Casa Branca.
Lula também direcionou críticas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio: “Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado”.
Ao comentar a relação bilateral, o petista disse que o governo brasileiro não pretende entrar em conflito com Washington, mas exigiu respeito à soberania nacional.
“Eu fui eleito pelo povo brasileiro. Ele tem que respeitar o voto do povo brasileiro.”
Lula também criticou o que chamou de incentivo de brasileiros à disputa comercial entre os dois países. Sem citar nomes, afirmou que há pessoas apostando em prejuízos ao Brasil para obter ganhos políticos internos. Foi uma crítica velada a Flávio Bolsonaro (PL), seu rival nas eleições de 2026. “Isso seria chamado de traição da pátria”, declarou.
O presidente ainda afirmou que os conflitos internacionais recentes decorrem de “decisões unilaterais” e voltou a defender o fortalecimento do multilateralismo e da democracia como caminhos para a estabilidade global.
REUNIÃO MINISTERIAL
O encontro desta 4ª feira (3.jun) foi a 1ª reunião ministerial ampliada realizada por Lula depois da reforma na articulação política do governo e da recente escalada da tensão comercial com os Estados Unidos. Além da tensão com Washington, o presidente cobrou dos ministros a aceleração de entregas e a coordenação das ações do governo.
Lula determinou que inaugurações e anúncios passem pela Casa Civil e reclamou da falta de comunicação entre ministérios e o Palácio do Planalto.
“É importante que a gente apronte tudo até o dia 3 de julho”, disse. Também afirmou que “é importante que a gente não saiba nada pelos jornais”, ao pedir maior alinhamento entre os integrantes da Esplanada.
