Últimas

Leia reações de pré-candidatos e governistas sobre taxa de Trump

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Leia reações de pré-candidatos e governistas sobre taxa de Trump

Pré-candidatos à Presidência e políticos governistas reagiram em publicações no X à proposta do governo dos EUA de aplicar tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil. A medida foi apresentada na 2ª feira (1º.jun.2026) depois de investigação comercial concluir que o país adotou práticas consideradas desleais e prejudiciais a empresas norte-americanas.

O relatório do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) cita o Pix, decisões judiciais sobre plataformas digitais, acordos tarifários com México e Índia, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e corrupção. O documento afirma que o Pix colocaria empresas estrangeiras de pagamento digital em desvantagem competitiva.

O pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD-GO) criticou a proposta norte-americana, mas também fez críticas ao governo brasileiro. Em publicação no X, escreveu: “Sou goiano, brasileiro, patriota e não aceito nenhuma penalização ao nosso país. Mas o Brasil também precisa fazer a sua parte. Não pode ser a sede das maiores multinacionais do crime no mundo. Não pode dar sinais de que a corrupção não tem controle”.

Em vídeo anexado à publicação, Caiado declarou que o Brasil “não pode sofrer essas penalidades” e disse que, se estivesse no governo, o problema teria sido corrigido “imediatamente”. Também afirmou: “O país também tem que fazer a sua tarefa de casa”.

Romeu Zema (Novo-MG), também pré-candidato ao Planalto, classificou a medida como “inaceitável”, mas responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicação no X, escreveu: “A ameaça de tarifa de 25% dos EUA contra produtos brasileiros é inaceitável. Mas ela não caiu do céu”.

Zema afirmou ainda que Lula “isolou o Brasil”, “fechou o país para o mundo” e “destruiu a confiança de quem olha para cá”. No vídeo publicado na rede social, disse que a Casa Branca vê um Brasil “com menos segurança jurídica, menos abertura comercial e menos força para negociar”.

Governistas miraram a família Bolsonaro. Em publicação no X, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) escreveu: “O PIX é nosso, e os brasileiros estão vendo quem realmente defende os interesses do Brasil e da nossa gente”. No vídeo, disse que os EUA “atacam a nossa soberania” e afirmou que o sistema de pagamentos brasileiro ameaça interesses de grandes empresas norte-americanas, como Visa, Mastercard e Meta.

Haddad também associou a proposta de tarifa a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Se o Trump é o pai desse ataque ao PIX, os padrinhos são nossos velhos conhecidos, a família Bolsonaro e seus aliados”, declarou. Ele citou a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA e disse que, depois da visita, “o governo americano voltou a nos ameaçar com novas tarifas”.

A ex-ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT-PR) também associou a proposta de tarifa à atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Em publicação no X, a pré-candidata ao Senado disse que a medida tem entre as principais justificativas a alegação de que políticas brasileiras favorecem empresas nacionais de pagamento eletrônico, em referência ao Pix. “O Brasil não pode e não vai ceder nada no Pix para as empresas americanas ficarem cobrando as taxas caríssimas dos cartões. O PIX é nosso, veio pra ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro”, escreveu. Gleisi também chamou a atuação dos Bolsonaros de “criminosa” e os classificou como “traidores da pátria, do povo brasileiro”.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) também relacionou a proposta de Trump a Flávio Bolsonaro. Em publicação no X, escreveu: “Quando só o desespero é o conselheiro das ações. Dois encontros desastrosos, com Trump para pedir taxação contra o Brasil e com Eduardo Cunha para garantir apoio do Centrão. Flávio Bolsonaro em campanha”.

A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) afirmou, em publicação no X, que chegou a Washington em missão oficial no dia em que Trump “ataca novamente nossa soberania”. Escreveu que a tarifa de 25% é “consequência direta de uma articulação de Flavio Bolsonaro e de seu irmão, Eduardo Bolsonaro”.

Em vídeo publicado na rede social, Jandira disse que a proposta norte-americana “impactará com força a questão do nosso PIX”. A congressista afirmou: “O PIX é do Brasil. O Trump não vai botar a mão no PIX porque isso é uma autonomia financeira do povo brasileiro”.

Também no vídeo, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) disse que a medida prejudica empresários brasileiros, o agronegócio e trabalhadores. “Quando atinge o nosso PIX, que é o nosso patrimônio, é a soberania nacional”, declarou.

A decisão final sobre a tarifa caberá ao presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano). O Brasil terá até 15 de julho de 2026 para responder às reclamações norte-americanas.

A tensão entre Brasília e Washington também foi alimentada por declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Na 3ª feira (2.jun.2026), ele classificou o Brasil como um país que representa desafios para a política externa norte-americana e citou o país ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela.

Além da tarifa de 25%, os EUA propuseram nesta 4ª feira (3.jun.2026) sobretaxas adicionais de 10% a 12,5% sobre produtos importados de 59 países, incluindo o Brasil, por suposta falha no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas. Até a publicação deste texto, não havia reações dos políticos citados nesta reportagem a essa 2ª proposta.

Leia reações de pré-candidatos e governistas sobre taxa de Trump — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado