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Leia a carta de Flávio a Rubio pedindo que EUA poupem Brasil de tarifas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou nesta 3ª feira (2.jun.2026) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. No documento, o pré-candidato à Presidência solicita que o governo norte-americano exclua o Brasil da nova rodada de tarifas comerciais. A USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras. Eis a íntegra do documento (PDF – 165 kB).

O pré-candidato à Presidência da República diz no ofício que o Brasil atravessa “grave deterioração fiscal e econômica”. Segundo o senador, a imposição de tarifas agravaria a situação do país. O documento de Flávio menciona aumento da dívida pública e recorde de inadimplência.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que a família Bolsonaro interviu contra o Brasil durante visita ao presidente Donald Trump na semana anterior. Nesta 3ª feira (2.jun.2026), logo depois do anúncio da proposta de tarifas contra o Brasil, Trump publicou fotografia do encontro com Flávio, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo no Salão Oval da Casa Branca.

Leia a íntegra da carta de Flávio Bolsonaro:

“Prezado Secretário Rubio,

“Escrevo, em primeiro lugar, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

“Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras –inclusive para o seu país. A ampla maioria do povo brasileiro comemorou essa medida, mesmo que ela não tenha agradado ao governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

“Escrevo também, porém, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento –e que a decisão apenas tenha aberto um processo de consulta pública e etapas técnicas que levarão a um prazo legal em julho– acredito ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.

“O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral já ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril, e as projeções de mercado apontam que ela chegará a um recorde de 83,7% do PIB até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes.

“O peso sobre as famílias é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está inadimplente –quase metade da população adulta– e os compromissos com dívidas consomem uma parcela sem precedentes da renda familiar. Do lado das empresas, os pedidos de recuperação judicial –equivalente brasileiro ao Chapter 11 dos Estados Unidos– dispararam para o recorde histórico de 2.466 companhias em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Todos esses números representam recordes históricos.

“Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro –justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

“Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações –baseado em livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem.

“Permaneço inteiramente à disposição e espero aprofundar a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

“Que Deus abençoe a América, e que Deus abençoe o Brasil.”