O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a proposta dos Estados Unidos de impor nova tarifa de 12,5% sobre importações é um mecanismo de pressão para forçar negociações em torno da outra tarifa, de 25%, que pode ser aplicada a uma ampla lista de produtos brasileiros.
Na noite de 3ª feira (2.jun.2026), governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou a conclusão de investigações comerciais conduzidas pela USTR (Representante Comercial dos EUA) que propõem a adoção de tarifas adicionais de 12,5% sobre importações de 59 países, incluindo o Brasil, e a União Europeia por “falha no combate ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas”. Leia a íntegra do documento, em inglês (PDF – 4 MB).
Em nota oficial nesta 3ª feira (3.jun), o governo brasileiro afirmou que discorda profundamente com a conclusão preliminar do USTR, e classificou como “absurdo” associar a competitividade da economia brasileira a insumos obtidos por meio de trabalho forçado.
O texto cita a OIT (Organização Internacional do Trabalho), que reconhece o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado, e diz que o país se reserva o direito de acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso, caso as recomendações preliminares se convertam em tarifas efetivas.
A proposta sugere sobretaxas de 10% a 12,5% sobre produtos importados, a depender do país. Na prática, o percentual consolidado pode chegar a 37%, somando os 25% já em vigor aos 12,5% adicionais.
A medida ainda está sujeita a uma consulta pública. O governo de norte-americano receberá comentários até 6 de julho e deverá realizar audiência antes da implementação definitiva das tarifas. Alguns setores considerados estratégicos, como medicamentos, energia e minerais críticos, poderão ficar isentos das restrições.
Para o Planalto, o etanol é o único produto que apareceu com clareza nas negociações tarifárias. Temas não tarifários, como minerais críticos e big techs, não estão na mesa brasileira.
O governo avalia que os 25% não serão retirados sem compensação. O grupo de trabalho bilateral é visto como o espaço para construir um acordo que evite a aplicação das tarifas a partir de 15 de julho, prazo-limite para conclusão dos procedimentos administrativos americanos.
O Poder360 apurou que o Planalto considera difícil uma reversão no curto prazo.
O impacto principal já é sentido no campo econômico e financeiro: mesmo sem efeitos imediatos, a medida embute riscos que antecipam, no presente, uma piora nas condições de comércio e de negócios. Exportadores que planejam embarques para os EUA já reconsideram contratos diante da incerteza sobre o que vale a partir de 15 de julho.
O governo não rejeita um acordo antes do prazo. Nas margens do G7, nos dias 16 e 17 de junho no Canadá, existe a possibilidade de uma reunião bilateral entre Lula e Trump, mas nada está confirmado.
Uma nova rodada entre o negociador brasileiro Márcio Elias e o americano Jamieson Greer também é cogitada no âmbito do grupo de trabalho.
