A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, rechaçou nesta 4ª feira (3.jun.2026) a conclusão da investigação do USTR (Representante Comercial dos EUA), que identificou o uso de trabalho forçado no país asiático para garantir vantagem competitiva sobre produtores norte-americanos.
Ning negou a existência de trabalho forçado na China e classificou o uso do termo pela autoridade norte-americana como uma forma de manipulação. “Não existe ‘trabalho forçado’ na China, e nos opomos ao uso desse conceito como pretexto para manipulação política”, declarou a porta-voz do governo chinês.
Os EUA anunciaram na noite de 3ª feira (2.jun) a conclusão de investigações comerciais que propõem a adoção de tarifas adicionais de 12,5% sobre importações de 59 países por “falha no combate ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas”. Dentre os países que o USTR propõe punir estão China e Brasil.
A medida não entra em vigor imediatamente e passará por consulta pública. O governo receberá comentários até 6 de julho e deverá realizar audiência antes da implementação definitiva das tarifas. Alguns setores considerados estratégicos, como medicamentos, energia e minerais críticos, poderão ficar isentos das restrições.
Ning retomou o tom adotado pelo governo chinês desde o início da guerra tarifária com os EUA no início de 2025. Segundo a porta-voz, essas medidas unilaterais não trazem benefícios para nenhum dos lados e a Casa Branca deveria focar sua energia em um diálogo construtivo entre os representantes comerciais.
“A China tem se oposto consistentemente a todas as formas de medidas tarifárias unilaterais. Guerras tarifárias e guerras comerciais não interessam a nenhuma das partes. Questões econômicas e comerciais devem ser resolvidas por meio do diálogo e da consulta, com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo”, disse Ning.
O governo norte-americano iniciou a investigação em 12 de março. Desde o seu lançamento, a China criticou a operação e a chamou de “arbitrária”.
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