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Flávio diz, sem provas, que Lula incentivou facções a matá-lo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou sem provas nesta 3ª feira (2.jun.2026), em Belo Horizonte, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria enviando um “apito de cachorro” —termo usado para indicar um sinal ou mensagem velada destinada a um público específico— para que facções criminosas o “executassem”. A declaração foi feita depois de o congressista defender a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

A fala de Flávio foi uma resposta à declaração de Lula de que os filhos de Jair Bolsonaro mereceriam o mesmo destino do delator de Tiradentes por terem buscado apoio do governo norte-americano e causado a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele, são vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometer nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores?”, disse Lula, em evento em Catalão (GO). Ao mencionar o episódio, o presidente se confundiu: Tiradentes foi executado por enforcamento em 1792, mas Silvério dos Reis morreu de causas naturais em 1819.

Em nota, Flávio informou que vai apresentar uma denúncia ao STF ainda nesta 3ª feira. Segundo o senador, a declaração configura ameaça e incitação ao crime. “Lula afirmou que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento. A fala do presidente configura crime de ameaça e de incitação ao crime”, afirmou. 

Durante cerimônia em que recebeu o título de cidadão honorário de Belo Horizonte, Flávio voltou a rebater o presidente e relacionou a fala de Lula a supostas ameaças contra sua vida. “Você não vai me enforcar”, declarou o senador. “Eu quero dizer para você, Lula, que você não vai fazer comigo o que fizeram com Tiradentes.”

Em seguida, Flávio afirmou que o presidente teria dado um sinal indireto a integrantes do PCC e do Comando Vermelho. “Bastou eu atuar contra PCC e Comando Vermelho, bastou eles serem rotulados como grupos terroristas pelo governo americano, que Lula dá uma espécie de apito de cachorro para as facções criminosas me executarem”, disse.

O congressista afirmou esperar que essa não tenha sido a intenção do presidente. “Eu, de verdade, peço a Deus que não tenha sido essa a intenção dele. Porque, se foi, esse cara tinha que estar preso”

VIAGEM AOS ESTADOS UNIDOS

Ao comentar sua viagem recente aos Estados Unidos, o senador afirmou ter pedido ao presidente dos EUA, Donald Trump, que classificasse PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo ele, as facções exercem controle territorial e impõem medo à população em diversas regiões do país.

“Se isso não é terrorismo, eu não sei mais o que é”, afirmou.

Flávio também criticou Lula por supostamente proteger integrantes dessas organizações criminosas. “Quando ele se refere a integrantes do PCC e do CV como ‘nossos bandidos’, ‘nossos criminosos’, são criminosos dele, Lula”, disse.

Ao encerrar o discurso, o senador afirmou que pretende ampliar o combate ao crime organizado caso a direita retorne ao poder em 2027. “Mete o pé do Brasil até o final do ano. Porque, a partir do ano que vem, vocês vão ser presos ou vão ser neutralizados pela nossa polícia”, declarou.

O Poder360 procurou a Secom do Planalto por meio de e-mail e telefone para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do discurso de Flávio Bolsonaro. Até o momento da publicação desta reportagem não houve respostas. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

CARTA CONTRA TARIFAS

Flávio também enviou nesta 3ª feira (2.jun.2026) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para pedir que o governo norte-americano exclua o Brasil da nova rodada de tarifas comerciais. Eis a íntegra (PDF – 165 kB).

No texto, Flávio Bolsonaro afirma que o Brasil atravessa um cenário de “grave deterioração fiscal e econômica”. O senador cita indicadores como o crescimento da dívida pública, o número de inadimplentes e os pedidos de recuperação judicial para sustentar que a eventual imposição de tarifas pelos Estados Unidos poderia agravar a situação econômica do país.

Pela manhã, depois de anunciar tarifa ao Brasil, Trump publicou uma foto da reunião com o pré-candidato à Presidência na Casa Branca, na semana anterior.

Governistas responsabilizam os irmãos Bolsonaro pela aplicação das tarifas. O deputado federal Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) acionou o STF contra Flávio, alegando que o senador teria atuado junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar política e economicamente o Brasil. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes.

PROTESTOS NA CAPITAL

A homenagem ao congressista foi recebida com forte oposição de movimentos sociais, coletivos populares e torcidas organizadas na capital mineira.

Faixas de repúdio a Flávio Bolsonaro foram espalhadas por diferentes regiões de Belo Horizonte desde as primeiras horas da manhã. Uma das mensagens escritas nos cartazes dizia: “Flávio rachadinha, onde está o dinheiro de Vorcaro?”.

Além dos cartazes, os grupos organizaram uma manifestação pública em frente ao prédio da Câmara Municipal. O protesto foi convocado para as 16h, mesmo horário em que a solenidade oficial foi realizada no interior do Legislativo mineiro.

CIDADANIA HONORÁRIA DE BH

Flávio Bolsonaro  recebeu o título de cidadão honorário de Belo Horizonte (MG). A homenagem foi proposta pelo vereador Vile Santos (PL), que justificou a honraria pelo apoio do senador e do ex-presidente Jair Bolsonaro no fortalecimento da bancada do partido na capital mineira. 

A concessão do título não passou por votação aberta no plenário. Pelo regimento interno da Câmara Municipal de Belo Horizonte, cada vereador tem direito a realizar três reuniões solenes por ano para a entrega de honrarias. Para viabilizar a solenidade, o parlamentar precisa apenas recolher um número mínimo de assinaturas de apoio entre os colegas e agendar a cerimônia.

O congressista cumpre agenda política no Estado desde 2ª feira (1º.jun).

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