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Ministro de Lula vê risco para pequenos negócios com tarifa dos EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou ao Poder360, nesta 3ª feira (2.jun.2026), que uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos pode prejudicar micro e pequenos negócios, gerar instabilidade econômica e afetar o sistema financeiro. Segundo ele, o governo prepara medidas para reduzir eventuais impactos.

A nova ameaça surgiu depois da conclusão preliminar da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil em julho de 2025. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera a ofensiva politicamente motivada. A avaliação é que a investigação foi impulsionada por aliados da família Bolsonaro nos Estados Unidos e mistura disputas comerciais com temas de soberania nacional.

Em entrevista ao Poder360, Pereira afirmou que a possibilidade de novas barreiras comerciais preocupa porque afeta empresas com potencial exportador e cria incertezas para investimentos e negócios.

Também disse que a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações “terroristas” e a discussão sobre novas tarifas podem provocar restrições no sistema financeiro internacional, com reflexos para empreendedores.

“São grupos que fazem muito mal à vida da sociedade mas, se entender esses grupos com grupos ‘terroristas’ e agora uma nova possibilidade de aumento de tarifa. O que isso gera? Primeiro instabilidade. Então você pode aos poucos começar a ter restrições do sistema financeiro internacional contra bancos brasileiros para o mundo dos empreendedores“, declarou.

O Pix é uma das principais preocupações. Segundo o ministro, o sistema ampliou oportunidades para pequenos negócios ao reduzir custos de transação e facilitar pagamentos. “O Pix permitiu a emancipação de vários empreendedores e empreendedoras”, disse.

Na avaliação dele, as medidas discutidas pelos Estados Unidos não têm fundamento econômico. O ministro atribuiu a escalada das tensões à atuação de agentes políticos brasileiros e disse que a disputa pode causar danos à economia nacional.

“É uma agressão desmedida, não tem nenhum fundamento econômico. Parte da irresponsabilidade de parte dos atores políticos brasileiros que querem prejudicar o país a qualquer custo porque estão pensando só na eleição. Isso pode afetar sim a vida do empreendedor”, disse.

Tarifaço em 2025

Em julho de 2025, o governo Donald Trump anunciou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Na época, os setores mais afetados incluíram empresas exportadoras de menor porte ligadas à indústria de transformação, alimentos, madeira, calçados e componentes industriais. 

Para reduzir os impactos, o governo brasileiro lançou linhas de crédito para exportadores, ampliou mecanismos de financiamento ao comércio exterior e adotou medidas de apoio a empresas atingidas.

Questionado sobre possíveis respostas a uma nova rodada de tarifas, o ministro afirmou que a gestão Lula poderá recorrer a instrumentos semelhantes.

“O governo construiu linhas de crédito específicas para os exportadores que foram afetados. Pode vir a acontecer de novo no caso dos micro e dos pequenos empreendedores”, declarou.

O ministro também mencionou ações de combate ao endividamento e iniciativas para fortalecer o mercado interno. Como exemplo, citou o Contrata+ Brasil, programa que conecta empreendedores a oportunidades de prestação de serviços para órgãos públicos.

Segundo ele, o objetivo é proteger empresas e empregos caso as tarifas avancem, ao mesmo tempo que o governo mantém as negociações com os Estados Unidos.

A posição oficial do Planalto é tentar evitar que as recomendações da investigação se transformem em tarifas efetivas. O governo afirma que continuará negociando com Washington até o prazo final das conversas, em 15 de julho, mas sustenta que temas como o Pix não serão objeto de concessões.


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