O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) defendeu, em carta à militância petista, que o partido priorize organização, unidade e mobilização nas eleições de 2026. Pré-candidato a deputado federal por São Paulo, ele afirmou que o PT precisa atuar nas ruas, nas redes, nos locais de trabalho e nas comunidades para sustentar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ampliar a bancada no Congresso.
No texto, Dirceu diz que “o momento exige organização, unidade, rumo político e diálogo com todas as forças democráticas, progressistas e populares”. Segundo ele, a tarefa do partido é preservar as ações do governo Lula, conter o avanço do bolsonarismo e apresentar um projeto político para os próximos anos. Leia a íntegra da carta (PDF – 652kB).
O petista também afirmou que o partido deve falar com setores como juventude, mulheres, idosos, trabalhadores informais, pessoas que atuam por aplicativos e o chamado empreendedorismo popular. Para Dirceu, esses grupos serão “atores decisivos” no próximo ciclo político por expressarem contradições da sociedade brasileira.
Dirceu escreveu que há no país “um anseio profundo de mudança” ligado à desigualdade, à violência, às condições precárias de vida e à falta de mobilidade social. Ele também defendeu a reforma tributária e da renda como uma das pautas centrais para o próximo período.
“Os ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que os trabalhadores e a classe média”, afirmou. No mesmo trecho, disse que a disputa por mudanças no sistema tributário deve ser acompanhada da defesa do trabalho decente, da proteção social e da organização de novos setores da classe trabalhadora.
Na carta, o ex-ministro lista ações do governo Lula que, segundo ele, devem ser apresentadas pelo PT na campanha. Cita crescimento econômico, redução das desigualdades, baixo desemprego, aumento da renda, inflação sob controle, valorização do salário mínimo, reconstrução de programas sociais, agricultura familiar, crédito, financiamento habitacional, PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Nova Indústria Brasil e transição ambiental.
Dirceu também defende um plano de metas com distribuição de renda, desenvolvimento científico e tecnológico, inteligência artificial, minerais críticos, energias alternativas, fármacos ligados à biodiversidade, reindustrialização e cadeias produtivas locais.
O petista afirmou que a reeleição de Lula é “decisiva” para o Brasil, a América Latina, os Brics, o Sul Global e o “campo democrático”. Também disse ser necessário eleger um Congresso “menos conservador, mais progressista e mais conectado” com as demandas da população.
Em outro trecho, Dirceu relaciona sua pré-candidatura ao diagnóstico de linfoma, divulgado em maio. Ele foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, depois de exames identificarem a doença, e iniciou tratamento contra o câncer.
“Agora, diante do diagnóstico de um linfoma, enfrento mais uma batalha, em duas trincheiras: a da vida e a da luta pelo Brasil”, escreveu. Ele disse seguir “com serenidade” e confiança na equipe médica, no tratamento e na solidariedade recebida.
Dirceu foi ministro da Casa Civil no 1º mandato de Lula, de 2003 a 2005, presidiu o PT de 1995 a 2002 e já foi eleito deputado federal 3 vezes. Atualmente, tenta voltar à Câmara dos Deputados por São Paulo. Apesar do linfoma, ele mantém a pré-candidatura.
Na parte final da carta, o ex-ministro também critica o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e associa sua pré-candidatura à de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista. Segundo Dirceu, o PT deve enfrentar o que ele chamou de “vazio” deixado pela gestão Tarcísio em áreas como segurança pública, educação, saúde, pesquisa e inovação.
O texto termina com um chamado à militância petista. “A hora é de organização, unidade e mobilização”, escreveu Dirceu. “O PT nasceu da luta do povo brasileiro. É nessa luta que deve se reconstruir, se renovar e se preparar para vencer novamente”.
