O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), defenderam nesta 2ª feira (1º.jun.2026) que o Brasil trate os data centers como tema de soberania nacional e infraestrutura estratégica. As declarações foram dadas durante o painel “Desenvolvimento tecnológico, data centers e soberania nacional”, no 14º Fórum de Lisboa, realizado no auditório da FDUL (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa).
O debate reuniu público acima da capacidade da sala. Cerca de 20 pessoas acompanharam o painel em pé, encostadas nas paredes, enquanto outros participantes chegavam ao local. Segundo a organização, o espaço comportava 200 pessoas. Parte do público foi impedida de entrar e encaminhada a outros painéis.
Silveira afirmou que o Brasil reúne condições para atrair investimentos internacionais por causa da matriz energética limpa, da segurança jurídica e do reposicionamento geopolítico do país. Segundo ele, a discussão sobre data centers envolve tecnologia, mas depende principalmente da oferta de energia necessária para operar as estruturas.
O ministro disse que o país tem 38 GW em pedidos de parecer de acesso e 7,1 GW com potencial para representar R$ 159 bilhões em investimentos nos próximos anos. Também declarou que empresas internacionais do setor passaram a procurar o Brasil em razão da instabilidade no Oriente Médio.
“Eu tenho na minha agenda, no mínimo, 3, 4 grandes companhias mundiais em data center, me procurando”, declarou.
Silveira relacionou o tema à atuação internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Disse ter acompanhado 27 viagens internacionais do chefe do Executivo, incluindo encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), na Casa Branca.
Segundo o ministro, a conversa com Trump tratou de comércio internacional, combate ao crime organizado e soberania nacional. “Qualquer um que dialoga, se precisar de ajuda, dialoga para poder ter ajuda, mas sem abrir mão de que nós somos soberanos e nós temos que resolver os nossos problemas”, afirmou.

Silveira também defendeu a conclusão da usina nuclear Angra 3 e foi aplaudido ao abordar o tema. O ministro afirmou que o Rio de Janeiro e o Brasil não devem carregar “o verdadeiro mausoléu” representado pelo projeto, interrompido há décadas.
“Nós precisamos avançar, porque a energia nuclear, para quem tem o que o Brasil tem, ela é o futuro da nação”, declarou.
Cavaliere disse que os data centers devem ser vistos como infraestrutura essencial do século 21. Comparou a construção dessas estruturas à de rodovias e aeroportos.
“Construir data center é como construir rodovia, como construir aeroporto”, afirmou. “Sem data center, o mundo não vai se desenvolver e se comunicar nesse século”.
O prefeito declarou que o Brasil tem uma janela de 12 a 24 meses para se posicionar na disputa global por data centers. Segundo ele, o país tem vantagens por causa da matriz energética, da estrutura de engenharia e da capacidade de atrair investimentos em IA (Inteligência Artificial).
Cavaliere afirmou que o Rio de Janeiro está pronto para anunciar US$ 60 bilhões em investimentos em data centers nas próximas semanas, mas disse que a aprovação do Redata é necessária para viabilizar a atração dos recursos.
“A gente está com tudo pronto para anunciar US$ 60 bilhões de investimento daqui a duas semanas no Rio de Janeiro, mas a gente precisa avançar com a legislação do Redata”, declarou.
Silveira também defendeu o Redata. Disse que a proposta não se limita à área tributária, pois inclui contrapartidas em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), capacitação profissional e produção de energia limpa e renovável.
Cavaliere afirmou que o texto “não é projeto de governo”, mas “projeto de Estado”. A declaração foi aplaudida pelo público.
O prefeito citou ainda o Rio AI City, projeto anunciado pela Prefeitura do Rio no Parque Olímpico. Segundo ele, a cidade substituiu áreas antes destinadas a empreendimentos residenciais por espaços voltados à instalação de data centers.
Para Cavaliere, a iniciativa pode ajudar o Rio a “redescobrir uma vocação fundamental”. “O Rio de Janeiro já é cidade de energia para o Brasil, mas precisa olhar para o futuro”, declarou.

