O deputado Alencar Santana (PT-SP) protocolou, nesta 2ª feira (1º.jun.2026), uma notícia de fato na Polícia Federal pedindo a apuração de relações entre integrantes do entorno político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e membros do Comando Vermelho. Leia a íntegra do documento (PDF – 420 kB).
O documento foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e cita reportagens baseadas em investigações da corporação que apontam a existência de um “circuito de intermediação” envolvendo integrantes da facção criminosa, agentes públicos, ex-agentes públicos, assessores e operadores políticos ligados ao senador.
A petição menciona Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado como integrante ou liderança do Comando Vermelho, além de Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o “Dudu”, ex-assessor de TH Joias. Também são citados o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, e o ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca.
Petição cita mensagens
Segundo o documento, mensagens obtidas em investigações da PF indicariam tratativas relacionadas a reuniões com agentes públicos, pedidos de favores e tentativas de nomeações em estruturas do Estado do Rio de Janeiro.
A notícia de fato afirma que Gutemberg Fonseca, identificado nas conversas como “Guto”, seria aliado político próximo de Flávio Bolsonaro. O texto pede que a PF apure se a proximidade com o senador foi utilizada “real ou simuladamente” para garantir acesso, influência política ou proteção a interesses ligados ao Comando Vermelho.
O Poder360 procurou a assessoria de Gutemberg Fonseca para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do pedido de investigação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
O pedido cita ainda mensagens que mencionariam reuniões envolvendo a Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor, o Procon-RJ e a concessionária Enel. Em um dos trechos mencionados na petição, haveria referência à necessidade de “pegar logo essa nomeação”, em possível articulação para indicar uma pessoa ligada ao grupo investigado para cargo público.
O documento também destaca a prisão de Alessandro Carracena na operação Anomalia, investigação que apura esquema de venda de influência política em benefício do crime organizado. Segundo a petição, reportagens apontaram que a PF identificou repasses de mais de R$ 90.000 do Comando Vermelho ao ex-secretário.
O Poder360 tentou entrar em contato com a defesa de Gabriel Dias de Oliveira, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves e Alessandro Pitombeira Carracena, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
Deputado pede inquérito
Alencar Santana afirma que os fatos podem indicar crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, prevaricação e lavagem de dinheiro.
A notícia de fato pede a instauração de inquérito policial ou o aditamento de investigações já em curso. Entre as diligências solicitadas estão a preservação de provas digitais, análise de mensagens e metadados, rastreamento financeiro dos investigados e levantamento de agendas, registros de entrada e documentos administrativos de órgãos estaduais.
O deputado também requer que a PF comunique imediatamente a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal caso surjam elementos envolvendo autoridades com foro privilegiado.
O documento afirma que não busca antecipar juízo de culpa, mas sustenta que existem “elementos públicos, objetivos e verificáveis” que justificariam a abertura de investigação.
Questionada sobre a possibilidade de abrir investigação, a Polícia Federal afirmou ao Poder360 que não confirma nem comenta eventuais apurações em andamento.
A assessoria de Flávio Bolsonaro se manifestou em nota. Disse que “em mais de 500 anos de Brasil, não há um único boletim de ocorrência ou processo que corrobore a tese do PT”. A manifestação também pontuou que “a família Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não compactuam com facções ou grupos armados e criminosos”.
Leia a nota de Flávio Bolsonaro na íntegra:
“Em mais de 500 anos de Brasil, não há um único boletim de ocorrência ou processo que corrobore a tese do PT. A família Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não compactuam com facções ou grupos armados e criminosos.
Diferentemente do governo Lula, que recebeu a primeira-dama do tráfico no Ministério da Justiça, fez lobby nos Estados Unidos a favor de facções narcoterroristas e mantém relações próximas com uma integrante do PCC recentemente presa e que pode estar à frente de um plano de atentado contra a vida de Flávio. O que deveria ser investigado são as relações do Lula.
O PT, mais uma vez, desperdiça valiosos recursos públicos com uma mentira, apenas para alcançar objetivos políticos eleitorais e se esquivar do verdadeiro debate”.
