O ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, usou recursos de uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão destinada pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) para contratar o advogado pessoal do congressista e comprar material didático que, segundo responsáveis locais, não foi entregue ao projeto Jovem Empreendedor em Pirassununga (SP), informou o jornal O Estado de S. Paulo nesta 2ª feira (1º.jun.2026).
A emenda foi indicada por Frias em 2024 para financiar o projeto, voltado ao letramento digital e ao empreendedorismo em escolas públicas. O convênio entre o instituto e o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) foi assinado em dezembro daquele ano e teve vigência até janeiro de 2026.
Segundo a reportagem, uma empresa ligada ao advogado Fabio Lago Meirelles recebeu R$ 80 mil do convênio em fevereiro de 2025. Do total, R$ 50 mil foram destinados a serviços jurídicos e R$ 30 mil a atividades contábeis. Meirelles atuou na defesa de Frias em ao menos 9 processos entre 2022 e 2026.
A principal despesa identificada foi um pagamento de R$ 400 mil à Editora Dinâmica para o fornecimento de 2.750 kits pedagógicos. De acordo com responsáveis locais ouvidos pelo Estadão, os materiais não chegaram a Pirassununga e o projeto não foi executado no município.
O ICB também transferiu R$ 300 mil ao Instituto Super Poder Educacional para a produção de aulas e a disponibilização de uma plataforma digital. A reportagem afirma que não há informações públicas sobre a entrega efetiva dos serviços contratados.
Outro repasse, de R$ 50 mil, foi destinado à empresa MM7, do produtor de eventos Marcelo Machado, para a divulgação do projeto. Machado integra a diretoria da Academia Nacional de Cultura, entidade presidida por Karina Gama.
A prestação de contas do convênio deveria ter sido entregue até 11 de abril de 2026. Segundo o jornal, a documentação ainda não havia sido apresentada até a publicação da reportagem.
O caso está relacionado a uma investigação conduzida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. A apuração busca verificar se recursos de emendas parlamentares destinadas por Frias ao instituto foram usados para financiar o filme Dark Horse, produzido por empresa de Karina Gama e que tem o deputado como produtor-executivo e roteirista.
Em nota, o MCTI informou que o convênio seguiu os trâmites legais e que o instituto já foi notificado para prestar esclarecimentos e apresentar informações complementares. Segundo a pasta, a parceria passou pelos “ritos técnicos e jurídicos previstos na legislação aplicável” e a entidade foi acionada para apresentar esclarecimentos adicionais.
O Poder360 procurou Mário Frias e Karina Gama por meio de mensagem enviada nesta 2ª feira (1º.jun.2026) via Whatsapp, para pedir um posicionamento sobre o caso. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve resposta. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
