O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou no domingo (31.mai.2026) ter enviado um ofício à Polícia Federal e à Interpol. O congressista pede cooperação internacional para apurar a origem e a movimentação de recursos do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). O documento solicita o compartilhamento de informações com autoridades dos Estados Unidos, da Holanda e da Hungria.
O pedido foi motivado por reportagens que apontaram a participação de empresas estrangeiras e de mecanismos financeiros internacionais na produção do longa-metragem. Documentos revelados pela Agência Pública indicaram que Eduardo Bolsonaro (PL) foi descrito como “financiador” do projeto. As publicações também relataram uma tentativa de contratação de uma estrutura de conta de custódia para movimentar recursos destinados à obra.
Lindbergh formalizou o pedido às autoridades policiais brasileiras e internacionais em maio de 2026. O deputado solicita a preservação de registros financeiros relacionados ao projeto cinematográfico.
O congressista também cita informações sobre uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil destinada à empresa New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia (Estados Unidos). A transação teria sido intermediada pela Stichting Freeway Custody, organização registrada na Holanda.
Lindbergh afirma que os fatos apontam para uma possível “arquitetura transnacional de movimentação de recursos” envolvendo os 4 países citados. Segundo o deputado, os envolvidos buscavam uma estrutura que permitiria aos investidores permanecerem anônimos.

O deputado também menciona o empresário Daniel Vorcaro, que seria relacionado ao financiamento do filme. Notícias indicaram que mensagens apontam atuação de Eduardo Bolsonaro na orientação do envio aos Estados Unidos de recursos negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro.
Próximos passos
O deputado pede que a Polícia Federal acione os canais de cooperação da Interpol. Lindbergh solicita informações sobre empresas e pessoas citadas nas reportagens. O congressista também requer que seja avaliado o uso da ferramenta internacional Silver Notice para localização de ativos e informações financeiras.
O deputado solicita ainda a preservação de contratos, ordens de pagamento, mensagens comerciais, registros contábeis e documentos relacionados às operações mencionadas. Lindbergh pede que a Polícia Federal verifique se há apurações já iniciadas sobre o caso.
Lindbergh afirma que o objetivo é “seguir o caminho do dinheiro” e identificar “a origem real dos valores”. O deputado sustenta que é necessário verificar eventual ocultação de financiadores e beneficiários. O parlamentar argumenta que a adoção de medidas urgentes é necessária diante do risco de “apagamento de registros”, “encerramento de contas” e “destruição de documentos eletrônicos” relacionados às operações investigadas.
No ofício, o deputado menciona “aparente contradição” entre as mensagens que apontam atuação de Eduardo Bolsonaro na orientação do envio de recursos aos Estados Unidos e declarações públicas de que Eduardo teria apenas cedido direitos de imagem para a produção. Lindbergh argumenta que a utilização de empresas, fundações, contratos privados e estruturas de custódia em diferentes países exige apuração sobre a origem e o destino dos valores empregados no projeto audiovisual.

