O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse nesta 2ª feira (1º.jun.2026) ser preciso mudar a forma como as emendas são distribuídas no Congresso Nacional. “Do jeito que está, não dá”, declarou no 14º Fórum de Lisboa.
Kassab afirmou que o Brasil tem um regime presidencialista, em que o presidente é eleito com um programa. O Congresso, segundo ele, está “direcionando recursos para um outro programa, que é o conjunto das emendas pessoais” dos congressistas.
“Podem até continuar as emendas, mas não é possível que elas não estejam associadas a um conjunto de propostas que foi aprovado pelo eleitor brasileiro, quando escolhido o presidente da República”, disse.
Kassab afirmou que “a maior parte das emendas” é direcionada “para ações que são, em geral, de responsabilidade de um governo municipal, de um governo estadual, havendo com isso uma distorção total da nossa distribuição dos orçamentos do Brasil”.
VOTO DISTRITAL MISTO
O dirigente defendeu o voto distrital misto “porque, em um distrito, você conhece melhor a história de vida das pessoas para saber escolher no seu voto aquele que vai representá-lo”.
“No distrito, você acompanha melhor aqueles que foram eleitos, seja no direcionamento de uma emenda parlamentar, seja no seu voto, seja na ausência do seu voto, seja na sua relação com o governo, seja na sua relação com outros partidos”, disse.
No voto distrital misto, cada integrante do Congresso Nacional é eleito individualmente, de acordo com os limites geográficos de 1 distrito pela maioria dos votos (simples ou absoluta).
Hoje, os deputados federais são eleitos por meio de um sistema proporcional de votos, em que a eleição dos candidatos é distribuída entre o partido.
“E eu acho que está ficando muito caro para o Brasil essa ausência de discussão, e mais do que isso, o Brasil não aprovar o voto distrital”, declarou.
TRANSPARÊNCIA
O presidente do PSD declarou haver um “mau humor muito grande na sociedade brasileira quando há ausência de transparência”. Mencionou que, com a tecnologia, as pessoas conseguem acompanhar “tudo” em todos os momentos. “Então, sempre é melhor anteciparmos”, afirmou.
Segundo Kassab, o país será “mais calmo” se todos os Poderes “colocarem à disposição” da sociedade todas as suas ações.
“As pessoas vão entender melhor o que acontece, quais são os debates, quais são as razões, e elas vão poder apoiar ou divergir, e vão se sentir mais bem apoiadas com as suas representações”, disse.
14º FÓRUM DE LISBOA
O tema do Fórum de Lisboa deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Todos os debates serão realizados de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa.
O evento terá a presença de nomes como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
O número total de participantes no Fórum de Lisboa aumentou de 360 em 2025 para 450 em 2026. É um recorde para o evento. Mas o total de autoridades brasileiras caiu com relação ao ano passado –a única exceção é no Legislativo, que terá 2 congressistas a mais neste ano. A mudança de embocadura do tema central do encontro, mais globalizado, é a razão de haver mais palestrantes de outros países e não apenas do Brasil e de Portugal.
O 14º Fórum de Lisboa recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, dada pelo presidente português a iniciativas, eventos, congressos, projetos ou comemorações que são considerados de especial interesse público, relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal.
Não se trata de conceder financiamento ou apoio material. É uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional.
A distinção, segundo a organização do evento, “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.
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