O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), classificou nesta 4ª feira (27.mai.2026) como “piada” a nova proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para renegociação das dívidas rurais. Afirmou que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) negocia diretamente com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) e relator da proposta, para votar ainda nesta 4ª feira (27.mai) a versão original do projeto no Senado.
O agronegócio tem como prioridades no Congresso destravar o PL (Projeto de Lei) 5122/2023, que trata da renegociação do endividamento, e o PL 2951/2024, referente a um novo marco do seguro rural. O avanço dessas pautas, contudo, enfrenta resistência da equipe econômica do governo, que teme o impacto fiscal das propostas.
Segundo Lupion, a nova proposta do governo desconsidera os pontos negociados anteriormente e piora o relatório do projeto em análise na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. A contraproposta governista, apresentada com um valor de R$ 120 bilhões, limita-se a atender o setor produtivo apenas em relação a questões climáticas.
Para o presidente da FPA, esse escopo subestima o tamanho da crise do setor, cujas necessidades, segundo ele, já seriam de 4 a 5 vezes maiores do que os R$ 30 bilhões dos fundos sociais e constitucionais discutidos inicialmente na Câmara dos Deputados. O congressista argumentou que o problema maior do produtor hoje não é apenas a seca e o clima, mas também fatores como a taxa de câmbio, a volatilidade do dólar, custos altos e a falta efetiva de acesso a crédito para a próxima safra.
“O que o governo propõe é algo que é uma peça de fantasia só para dizer que está fazendo alguma coisa, que não vai resolver o tamanho do problema. […] O que o governo quer é não ter que pagar a conta e se eximir do problema”, declarou Lupion a jornalistas.
ARTICULAÇÃO POR FIM DAS MPs
Com o impasse com a equipe econômica, a bancada ruralista também passou a rejeitar a edição de uma MP (Medida Provisória) sobre o tema. O argumento da FPA é o de que, mesmo que a MP tenha eficácia mais rápida, o setor não sabe o que pode vir no texto final, e corre o risco de ficar de “mãos atadas” até a instalação de uma comissão, negociações e votações.
A FPA já tinha apresentado uma contraproposta própria ao governo após rodadas de negociações conduzidas pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da bancada. Sem acordo com o Executivo, a estratégia agora é forçar a votação e tentar aprovar o texto rapidamente no Senado de forma independente, com o objetivo de evitar novas alterações.
A pressão exercida pela senadora Tereza Cristina sobre Renan Calheiros tem como objetivo pautar o relatório original e rejeitar as sugestões do governo. Caso a matéria seja votada e aprovada no Senado nesta 4ª feira (27.mai), a decisão final retornará para análise da Câmara dos Deputados.
Lupion alertou ainda para as consequências sistêmicas da escalada de custos no campo, afirmando que as dívidas acabam ficando nas costas do produtor, que recebe menos pelo produto devido à desvalorização, e do consumidor, que acaba pagando o preço mais alto nas prateleiras dos mercados.
