O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os Estados Unidos violaram o cessar-fogo entre os 2 países, em guerra desde o fim de fevereiro. Em nota divulgada nesta 3ª feira (26.mai.2026), declarou que forças norte-americanas realizaram ataques na província de Hormozgan, no sul do território iraniano.
“A prática dessas ações agressivas, simultaneamente ao processo diplomático em curso mediado pelo Paquistão, revelou mais uma vez a imprudência e a falta de compromisso da delegação governante dos EUA com a nação iraniana, o povo da região e a comunidade internacional”, declarou o ministério.
O cessar-fogo estava em vigor havia quase 7 semanas. Na noite de 2ª feira (25.mai.2026), militares dos Estados Unidos realizaram o que classificaram como “ataques de autodefesa” contra locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas no entorno do estreito de Ormuz. As ações ocorreram enquanto negociações mediadas pelo Paquistão estavam em andamento.
Segundo o governo iraniano, forças norte-americanas também teriam realizado ações militares e episódios de “pirataria marítima” contra navios comerciais iranianos nas últimas 48 horas. O ministério responsabilizou Washington por todas as consequências decorrentes dos atos classificados por Teerã como agressões.
O Irã também acusou os Estados Unidos de violar o Artigo 2 da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força ou ameaças contra a soberania e a integridade territorial de outros Estados.
Leia a nota completa divulgada pelo governo do Irã:
“O exército terrorista dos EUA, continuando suas ações ilegais e injustificadas desde a declaração do cessar-fogo em 10 de Farvardin de 1405 [29 de março de 2026], especialmente os numerosos casos de pirataria marítima contra navios comerciais iranianos, cometeu uma flagrante violação do cessar-fogo na região de Hormozgan nas últimas 48 horas.
“A prática dessas ações agressivas, simultaneamente ao processo diplomático em curso mediado pelo Paquistão, revelou mais uma vez a imprudência e a falta de compromisso da delegação governante dos EUA com a nação iraniana, o povo da região e a comunidade internacional, e mostrou que a abordagem de princípios da nação iraniana em todas as 3 áreas, nas ruas e na diplomacia, baseada na profunda suspeita em relação ao regime dos EUA, fundamenta-se na lógica e em uma profunda compreensão de sua natureza e de suas ações vingativas e criminosas contra o povo iraniano.
“O Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã condena veementemente esses atos de agressão, que constituem uma clara violação do Artigo 2, Parágrafo 4, da Carta das Nações Unidas, bem como do cessar-fogo de 19 de Farvardin de 1405, e responsabiliza o regime dos EUA por todas as consequências resultantes desses atos de agressão.
“Sem dúvida, a República Islâmica do Irã não deixará nenhum mal impune e não hesitará em defender a nação iraniana”.
CESSAR-FOGO VIOLADO
Na manhã desta 3ª feira, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter abatido um drone MQ-9 dos Estados Unidos que teria entrado no espaço aéreo iraniano. O episódio se deu durante negociações entre autoridades norte-americanas e iranianas para um possível acordo bilateral.
A organização militar iraniana afirmou ainda ter repelido outras aeronaves norte-americanas. A Guarda Revolucionária emitiu advertência de que responderá a quaisquer novas violações de seu território ou dos termos do cessar-fogo.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta 3ª feira que o estreito de Ormuz será reaberto “de um jeito ou de outro”. Rubio também afirmou que negociar um acordo com o Irã pode “demorar um pouco, pelo menos alguns dias”.
“O que está acontecendo lá é ilegal, é insustentável para o mundo, é inaceitável”, disse Rubio. “Eu não conheço nenhum país no mundo que seja a favor de um sistema de pedágio. Os russos não são a favor, os chineses não são a favor. […] O estreito precisa ser aberto, sem impedimentos, sem pedágios. E, obviamente, isso precisa acontecer imediatamente, assim que qualquer acordo for firmado”, acrescentou.
