O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, afirmou, nesta 3ª feira (26.mai.2026), que a jornada de trabalho e a escala 6 X 1 não devem ser tratadas como pauta eleitoral.
A declaração vem depois de representantes de setores econômicos se reunirem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar do avanço da proposta que coloca fim à escala de trabalho 6 X 1, que tramita na Câmara. O grupo defende que a discussão seja realizada com mais tempo e profundidade técnica.
O presidente da Fiesp afirmou em conversa com jornalistas que o tema foi conduzido por motivação eleitoral. “Não adianta transformar um tema sério em bandeira eleitoral. O assunto da jornada de trabalho foi tratado, pelo governo e pela Câmara, como pauta eleitoral”, declarou.
“Estamos falando de algo sério, de interesse nacional. Não pode ser tratado com motivação eleitoral”, afirmou Skaf. “O que se pede é: vamos sair desse período eleitoral e discutir isso com profundidade”, acrescentou o presidente da Fiesp.
O relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da escala 6 X 1 foi apresentado, na 2ª feira (25.mai), depois de acordo entre o Legislativo e o governo. O relator Leo Prates (Republicanos-BA) propôs a redução da jornada de 44 horas para 42 horas em um prazo de 60 dias após a promulgação no Congresso Nacional. Em seguida, passados 12 meses, haveria a diminuição para 40 horas.
Desde o início da discussão do fim da jornada, empresários vêm manifestando preocupação com possíveis prejuízos caso a medida seja aprovada.
Também participou da reunião Ricardo Alban, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria). “Nós viemos aqui em busca de encontrar uma solução para o bem. Não viemos aqui, de forma nenhuma, para contestar, reclamar ou negociar. O que nós queremos é uma solução para o Brasil, uma solução para a economia de forma segura, tranquila e sustentável. É isso que viemos começar a construir”, afirmou.
“Uma vez que o texto está sendo aprovado, possivelmente, pela Câmara, entendemos que ele não é condizente com a realidade da economia brasileira. Ele é totalmente adverso a diversos interesses, inclusive dos próprios trabalhadores e consumidores”, afirmou Alban.
Segundo os empresários, a proposta foi analisada de forma apressada, sem a devida participação dos setores econômicos. Eles argumentam que o texto atual não condiz com a realidade do país e prejudica tanto as empresas quanto os trabalhadores e consumidores, alertando que os curtos prazos de adaptação podem resultar no aumento dos preços de produtos e serviços.
Diante disso, os representantes defendem que o tema seja debatido com maior profundidade e responsabilidade após o período das eleições. A expectativa do setor empresarial é de que o Senado analise a matéria com equilíbrio e maturidade, buscando uma solução conjunta que evite prejuízos à economia nacional.
Skaf afirmou que o presidente do Senado e os senadores presentes ouviram as preocupações dos setores econômicos. “O presidente ouviu com atenção. Sentiu, assim como os senadores presentes, que é um tema complexo e que merece discussão com profundidade”, declarou.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Carlos Portinho (PL-RJ) participaram da reunião.
Os empresários evitaram afirmar se eram ou não contra a PEC. “Ninguém falou em paralisar a discussão. O que precisamos é não ter pressa”, declarou Skaf. “As pessoas que discutiram esse projeto não conhecem a realidade do Brasil. O projeto foi construído pensando em motivação eleitoral”, acrescentou.
