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Leia o que disseram Motta, relator e ministros sobre fim da 6 X 1

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Leia o que disseram Motta, relator e ministros sobre fim da 6 X 1

O presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) deu entrevista a jornalistas nesta 2ª feira (25.mai.2026) sobre a proposta do fim da escala 6 X 1. Ao lado de outros congressistas e integrantes do governo, ele disse que a transição da redução da jornada levará 1 ano depois da promulgação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) –que ainda precisa ser analisada por deputados e senadores. 

Motta falou no Salão Verde da Câmara dos Deputados. Estava acompanhado dos ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho). Também estavam presentes os deputados Alencar Santana (PT-SP) e Leo Prates (Republicanos-BA), presidente e relator da comissão especial que analisa a proposta na Casa, respectivamente.

O relatório está previsto para ser apresentado nesta 2ª feira (25.mai) na comissão. Pela manhã, Prates e Motta se reuniram com Lula para discutir as regras de transição da proposta. O governo é favorável ao fim imediato da escala 6 X 1, mas se mostrou aberto a negociações. A votação em plenário deve ser realizada em 27 de maio.

Assista à íntegra (59min10s):

Leia as principais declarações:

HUGO MOTTA

O presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta chamou os ministros de Lula, José Guimarães e Luiz Marinho, de “time de ex-deputados”. Ambos foram eleitos para a Câmara em 2022.

Motta afirmou que a reunião com o presidente Lula nesta 2ª feira alinhou as prioridades do governo e do Legislativo. Disse ter procurado ouvir a todos os setores ao longo da discussão do projeto, com reuniões e audiências públicas.

Segundo Motta, houve 3 pontos “inegociáveis” entre governo e Congresso: a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, o fim da escala 6 X 1 e a manutenção de salário, sem redução.

As divergências estavam no prazo de transição para a proposta entrar em vigor, além de pontos sobre microempreendedores individuais e servidores públicos. 

A transição será no período de 1 ano. Depois de 60 dias da promulgação da PEC no Congresso, haverá redução de 44 horas para 42 horas semanais e, em 12 meses, será implementada a jornada final proposta pelo texto.

Motta chamou o prazo de “a grande notícia do dia” e disse que se reunirá com Lula nos próximos dias para tratar dos microempreendedores individuais. Ele quer permitir que MEIs possam contratar mais de uma pessoa. Afirmou que isso trará avanços na formalidade do trabalho. Também irá propor aumentar o faturamento desses negócios.

O presidente chamou a proposta de “principal reforma para a vida das pessoas” e elogiou a capacidade de diálogo dos ministros de Lula.

JOSÉ GUIMARÃES

O Ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, focou na dificuldade para discutir e aprovar o projeto, chamado por ele de “histórico”. 

Guimarães afirmou que o mundo do trabalho deve comemorar o acordo, classificando-o como uma das maiores e mais importantes conquistas para os brasileiros.

O ministro afirmou não ter sido fácil concluir a negociação devido a pontos de divergência. Disse ter havido “inúmeras reuniões e divergências” até que se chegasse a um amplo entendimento entre o governo, a comissão e a Presidência da Câmara. “A proposta final foi firmada de um dia para o outro”, disse.

Segundo ele, o acordo saiu “apesar das dúvidas levantadas pela imprensa sobre a viabilidade de um consenso”. Atribuiu o sucesso ao “espírito público republicano” de Hugo Motta e elogiou sua capacidade de diálogo e de construção de acordos. Disse ainda que nenhum governo tem sucesso sem um Congresso “forte e respeitado”.

Guimarães declarou esperar que a votação seja concluída ainda nesta semana. Afirmou que o processo foi democrático e que ninguém deixou de ser ouvido –dos empresários aos trabalhadores e movimentos sociais.

LUIZ MARINHO

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que a luta pelas 40 horas semanais é antiga e vem da Assembleia Constituinte de 1988 –que reduziu de 48 para 44 horas– e de tentativas em 2004 e 2010. Declarou que o momento atual é “de muita alegria” e de resposta ao “grito de socorro” dos trabalhadores que “não aguentam mais a escala 6 x 1”.

O ministro afirmou que a mudança beneficia as empresas, além do trabalhador. Disse que a escala 5 X 2 ajuda a preencher vagas abertas e diminui as faltas, o que resultará em aumento de produtividade no Brasil.

Ele repetiu o cronograma anunciado por Motta e disse que a jornada diária será ajustada por meio de uma divisão do total de horas semanais por 5 dias de trabalho, conforme previsto na CLT e, depois, em convenções coletivas.

Para Marinho, ao aprovar a proposta, o Brasil entra em sintonia com o resto do mundo, onde vários países já reduziram a jornada. 

O ministro disse ter recebido empresários de pequenas a grandes empresas e afirmou que nenhum “setor da economia será prejudicado pela nova jornada”

Por fim, fez um “apelo ao Senado”, especificamente ao presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que a proposta seja aprovada com a mesma rapidez da Câmara.

ALENCAR SANTANA

O presidente da comissão especial do fim da escala 6 X 1, deputado Alencar Santana, chamou a apresentação do relatório no colegiado de “entrega histórica”. O congressista afirmou que essa “conquista” é fruto da manifestação popular, da Câmara e do governo Lula.

Segundo o deputado, a aprovação do texto coloca o Brasil no novo momento de civilidade, de respeito, de dignidade no tratamento ao seu trabalhador, sem dúvida, por isso que é motivo de conquista, de celebração essa votação que teremos aqui na comissão, especialmente no plenário”.

LEO PRATES

O relator da comissão especial do fim da escala 6 X 1, deputado Leo Prates, agradeceu ao presidente da Câmara por ter a oportunidade de relatar a proposta no colegiado. “Eu lhe devo muito, você tem a minha lealdade e a minha gratidão na sua trajetória. Os seus sonhos serão os meus sonhos”, afirmou o congressista.

Prates disse que a proposta de redução da jornada vai “marcar a gestão” de Motta à frente da Câmara.

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