O ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, disse nesta 2ª feira (25.mai.2026) que o governo deve aprovar em junho o aumento da mistura obrigatória do etanol na gasolina de 30% (E30) para 32% (E32).
A aprovação da nova mistura depende do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), vinculado ao MME (Ministério de Minas e Energia) e presidido pelo ministro Alexandre Silveira. O colegiado discutiria o tema na reunião de 11 de maio, que acabou sendo adiada por causa da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos EUA.
Em conversa com jornalistas durante evento da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Márcio Elias disse que a medida não deve enfrentar resistência no conselho, sobretudo em um momento em que a importação de combustíveis fósseis sofre com a alta do petróleo internacional
“Já está na pauta, o governo já anunciou a medida. Falta deliberar. É uma formalidade, porque imagino que no CNPE não vai ter oposição”, disse o ministro.
Ao citar que a nova mistura já foi anunciada pelo Planalto, o ministro fez referência a declarações recentes de Lula que aumentaram a expectativa do setor sobre a mudança. Em 30 de abril, o petista afirmou que o governo estava prestes a anunciar a ampliação das misturas obrigatórias. Citou o avanço para o E32 e a elevação do teor do biodiesel no diesel de 15% (B15) para 16% (B16).
TESTES ADIANTADOS
Os testes necessários para comprovar a viabilidade técnica do avanço para E32 já estão adiantados, o que permite a deliberação do CNPE. O cenário é mais positivo do que o do B16, que teve os testes anunciados pelo MME só na última semana.
O período de estudos serve para o governo analisar se a nova mistura causa problemas nos motores automotivos e industriais. “No caso do etanol, não há dúvida, porque até 32% não há problema algum para motorização”, disse Márcio Elias Rosa.
Apesar do otimismo, o ministro afirmou que o avanço para misturas superiores ao E32 exigirão novo período de testes. A rápida elevação do teor é uma demanda do setor de biocombustíveis, que aposta na medida para aumentar participação no mercado nacional.
AUMENTO DAS MISTURAS
O avanço das misturas está previsto na Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024. O texto determina que a ampliação seja gradual, desde que haja viabilidade técnica.
O debate ganha força em um momento de alta dos combustíveis fósseis. A elevação do preço do combustível segue refletindo o avanço do preço do barril de petróleo Brent, pressionado pelo conflito de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que completará 3 meses em 28 de maio.
Nas últimas semanas, congressistas, associações e executivos ligados ao segmento de biocombustíveis aumentaram a pressão pelo avanço imediato das misturas, sob a justificativa de que o país precisa reduzir a dependência da importação de combustíveis, sobretudo em períodos de instabilidade internacional como a guerra do Irã.
