Os gastos com a Defesa tiveram queda de 10,8% nos 3 primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em comparação com o mesmo período do governo de Jair Bolsonaro (PL). De 2023 a 2025, foram empenhados R$ 404,3 bilhões, enquanto de 2019 a 2021 foram R$ 453,8 bilhões.
O orçamento total nos 2 períodos, porém, cresceu. Enquanto as despesas totais da gestão Bolsonaro de 2019 a 2021 totalizaram R$ 14 trilhões, nos 3 primeiros anos do governo Lula foram de R$ 15,2 trilhões. Uma alta de 8,3%. Ou seja, ao longo dos anos, a participação da Defesa nos gastos do governo diminuiu.
Os dados foram corrigidos pela inflação mais recente, de março de 2026.

Nominalmente (ou seja, em números brutos e sem descontar a inflação), houve alta de 12,6% nos gastos em Defesa nos 3 primeiros anos do governo Lula em comparação com o mesmo período do governo Bolsonaro. Foi de R$ 336 bilhões, de 2019 a 2021, para R$ 378,5 bilhões de 2023 a 2025.
Os gastos com todas as 3 Forças tiveram redução. A maior queda foi com a Marinha (15,5%), seguido pelo Exército (9,6%) e Aeronáutica (7,7%).

NOVAS PERSPECTIVAS
Apesar da redução nos gastos com a Marinha, ela é a Força que tem recebido mais atenção do governo.
Em 24 de abril, recebeu a 1ª fragata construída no Brasil desde 1980 –a F200 Tamandaré. Dias antes, em 21 de abril, o presidente Lula anunciou na Alemanha a encomenda de 4 fragatas da mesma classe de uma empresa alemã. Já estavam encomendadas outras 4, que serão entregues em 2028.
A guerra no Irã e o impacto do fechamento de Ormuz indicaram a necessidade de proteger as rotas marítimas. O agronegócio brasileiro, por exemplo, depende de portos para escoar a produção.
“Esse cenário internacional reforça a necessidade de que países com grande dependência do comércio marítimo, como o Brasil, disponham de capacidades navais adequadas”, disse o subchefe de estratégia do Estado-Maior da Armada, almirante Sandro Baptista Monteiro.
A F200 é considerada uma fragata avançada do ponto de vista tecnológico se comparada com a Niterói, que ela vai substituir. Tem sistemas modernos de gestão de combate, troca de dados, além de ter capacidade para lançar mísseis e levar um helicóptero em seu convés de voo. É considerada mais leve, só que menos poderosa do que os destróieres.
CRÍTICAS DE MÚCIO
O ministro da Defesa, José Múcio, disse no início de maio que o orçamento destinado ao seu ministério “não dá para absolutamente nada”.
“Qual é o problema? Não podemos ter previsibilidade nas nossas contas. Não posso comprar porque não sei se consigo pagar a 1ª prestação. Do nosso orçamento, gastamos 83% com despesas fixas”, disse Múcio durante abertura do Mecodex 2026 (Exercício do Mecanismo de Cooperação em Desastres), em Brasília (DF).
Em nota enviada ao Poder360, o Ministério da Defesa disse que o orçamento “é composto por 2 grandes grupos de despesas, as obrigatórias e as discricionárias”.
Afirmou que, por meio da Lei Complementar 221 de 2025, haverá um aumento de 24% no gasto discricionário do ministério, considerado “o mais relevante para avaliar o compromisso efetivo do governo com a Defesa”.
E concluiu que “continua buscando a aprovação de um marco legal que garanta a necessária previsibilidade orçamentária para o setor”.
Leia a íntegra da nota:
“O orçamento do Ministério da Defesa, como o de qualquer ministério, é composto por dois grandes grupos de despesas: as obrigatórias e as discricionárias.
“As despesas obrigatórias decorrem de imposição normativa — ou seja, o gestor público não tem margem para deixar de executá-las. Em geral, fazem parte desse grupo as despesas com pagamento de pessoal, as previdenciárias, algumas políticas sociais, dentre outras.
“Já as despesas discricionárias são as que mais diretamente refletem as escolhas e prioridades do governo. No caso do Ministério da Defesa, são elas que financiam as operações reais e de treinamento das Forças Armadas, o funcionamento das organizações militares distribuídas por todo o território nacional, a aquisição de combustíveis, munição e equipamentos, bem como os projetos estratégicos de defesa no âmbito do Programa Novo PAC.
“Foi precisamente para esse conjunto de despesas — o mais relevante para avaliar o compromisso efetivo do governo com a Defesa — que, em novembro de 2025, foi aprovada a Lei Complementar nº 221, a qual viabiliza a ampliação de recursos para a defesa nacional em R$ 30 bi ao longo de 6 anos.
“Com base nessa norma, o orçamento discricionário do Ministério da Defesa foi ampliado, no exercício anterior (2025), em R$ 2,5 bilhões, estando prevista para 2026 novo aumento em igual montante. Em decorrência desse movimento, entre 2023 e 2026, as despesas discricionárias do Ministério terão registrado incremento aproximado de 24%, em valores correntes, passando de R$ 12,3 bilhões para R$ 15,3 bilhões.
“Não obstante, o Ministério continua buscando a aprovação de um marco legal que garanta a necessária previsibilidade orçamentária para o setor.”
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