O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a criação de um fundo nacional para administrar recursos obtidos com minerais estratégicos e afirmou que as terras-raras brasileiras atraem interesse dos Estados Unidos e da Europa. A declaração foi dada em entrevista ao programa Sem Censura, da EBC, exibida na 6ª feira (22.mai.2026).
Segundo Lula, o Brasil precisa proteger suas reservas minerais diante da crescente disputa internacional por recursos usados em baterias, equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética.
O petista afirmou que o governo quer evitar repetir o modelo adotado historicamente na exportação de minério de ferro, baseado apenas na venda de matéria-prima ao exterior. Segundo Lula, a intenção é fortalecer a industrialização no país e agregar valor à cadeia produtiva dos minerais críticos.
Durante a entrevista, o presidente afirmou que o interesse internacional pelas terras-raras brasileiras cresceu diante da disputa geopolítica global. “A Europa inteira quer, os Estados Unidos inteiro quer”, declarou Lula.
O presidente disse que o Brasil ainda conhece apenas parte de seu potencial mineral e defendeu ampliar o mapeamento geológico do território nacional. Segundo o presidente, cerca de 70% da área brasileira ainda precisa ser estudada.
Lula disse que o Brasil possui vantagens geopolíticas relevantes por concentrar grandes reservas minerais, água doce, petróleo e a maior floresta tropical do planeta.
“Nós temos que ter muito cuidado, muita consciência para saber que queremos respeito”, afirmou o presidente.
Lula também disse que o tema passou a ser tratado pelo governo como questão estratégica de Estado. O Planalto discute medidas para ampliar o controle nacional, incluindo um conselho ligado à presidência.
Terras-raras no Brasil
O Brasil tem a 2ª maior reserva mundial de terras-raras. A discussão sobre terras-raras e minerais críticos ganhou força no governo e no Congresso nos últimos meses.
A Câmara aprovou o projeto que cria a Política Nacional dos Minerais Críticos. O texto estabelece um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões para financiar o setor e autoriza o governo a barrar acordos internacionais e venda de mineradoras considerados ameaças à soberania nacional.
A proposta também cria o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), órgão que ficará responsável por analisar operações societárias. Ele também vai definir quais minerais serão considerados estratégicos e avaliar parcerias internacionais no setor.
Integrantes do PT também discutem incluir no programa eleitoral de 2026 a criação da Terrabras, estatal voltada à exploração e industrialização de minerais críticos e terras-raras.
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