A Corte de Cassação da Itália anulou nesta 6ª feira (22.mai.2026) a decisão que autorizava a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) ao Brasil.
Zambelli está presa em Roma desde julho de 2025. Ela foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2 processos: um relacionado à invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e outro ao episódio em que perseguiu armada um homem em São Paulo na véspera do 2º turno das eleições de 2022.
A decisão desta 6ª feira foi tomada pela última instância da Justiça italiana em recurso apresentado pela defesa da ex-deputada. O julgamento foi realizado em audiência fechada, com participação de 6 juízes.
A Justiça italiana analisa 2 pedidos de extradição de Zambelli. Em março, a Corte de Apelação de Roma havia autorizado a extradição da ex-deputada ao Brasil. A defesa recorreu à Corte de Cassação, última instância judicial italiana.
Mesmo depois da decisão judicial, a palavra final sobre eventual extradição cabe ao governo italiano. O ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, é quem decide se autoriza ou não o envio da ex-deputada ao Brasil.
Zambelli nega as acusações e diz ser alvo de perseguição política.
ENTENDA O CASO
O caso que levou ao pedido de extradição começou em janeiro de 2023, quando o sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) foi invadido. Segundo a acusação, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu documentos falsos no sistema, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O Supremo condenou Zambelli por envolvimento na invasão em 14.mai.2025.
A ex-deputada também responde a outro caso no STF, ligado ao episódio de de outubro de 2022, véspera do 2º turno das eleições, quando sacou uma arma e perseguiu um homem nas ruas de São Paulo. No dia 22 de agosto de 2025, o Supremo a condenou por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.
Depois da condenação no caso do CNJ, Zambelli deixou o Brasil. Ela tem cidadania italiana e foi presa em Roma, no dia 29 de julho, por ordem das autoridades italianas, no contexto do pedido de extradição feito pelo Brasil.
No dia 26 de março de 2026, a Corte de Apelação de Roma autorizou a extradição no caso da invasão ao sistema do CNJ. A defesa recorreu à Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana, que julgou o recurso nesta 6ª feira.
