O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 6ª feira (22.mai.2026) que atua “todo santo dia” para reduzir o preço da gasolina e evitar impactos da crise internacional no bolso dos brasileiros. Em entrevista à EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Lula relacionou a pressão sobre os combustíveis à escalada do conflito envolvendo o Irã e disse que o governo estuda novas medidas para conter reajustes.
Segundo Lula, o governo convocou reuniões logo após o agravamento da crise no Oriente Médio para discutir alternativas que evitassem aumento nos postos. “Eu brigo todo santo dia para o preço da gasolina abaixar”, afirmou.
Durante a entrevista, ele afirmou que acompanha pessoalmente os preços do diesel, da gasolina e do etanol. Disse ter conversado com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre o valor do etanol no Rio de Janeiro.
Lula declarou ainda que pretende intensificar a fiscalização sobre preços de combustíveis. Disse que a Polícia Federal e a Agência Nacional do Petróleo devem ampliar ações para investigar aumentos considerados abusivos. “Nós não temos por que aumentar o preço”, declarou.
Em março, o governo federal zerou PIS/Cofins sobre o diesel, criou subsídio temporário ao combustível e instituiu uma taxa de 12% sobre exportações de petróleo para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internos.
Segundo Lula, a arrecadação será usada para compensar reajustes e reduzir impactos para caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativo. “Nós vamos cobrar imposto da exportação de petróleo porque as petroleiras estão ganhando muito dinheiro com o preço subindo”, declarou.
Lula também afirmou que negociou com governadores medidas envolvendo o ICMS dos combustíveis. Segundo ele, a União chegou a discutir compensações financeiras aos Estados para reduzir a tributação.
O governo federal já adotou uma série de medidas desde o início do mandato para tentar conter a pressão sobre os combustíveis. Em 2023, a Petrobras abandonou a política de paridade internacional adotada na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que vinculava os preços domésticos às oscilações do dólar e do petróleo no mercado externo.
Desde então, a estatal promoveu cortes sucessivos no diesel vendido às distribuidoras. O governo também ampliou a mistura obrigatória de biodiesel e etanol como forma de reduzir dependência externa e suavizar oscilações internacionais.
Lula voltou a criticar a privatização da antiga BR Distribuidora, atual Vibra Energia. Segundo ele, a venda diminuiu a capacidade de intervenção do governo no setor.
“Se ele não tivesse privatizado a BR, a gente teria como controlar”, disse.
O presidente também criticou distribuidoras e órgãos reguladores. Segundo ele, parte do setor mantém preços elevados mesmo sem justificativa ligada aos custos internacionais. “Tem distribuidora que não respeitou”, afirmou.
