A declaração do presidente do PT, Edinho Silva, sobre uma possível desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de disputar o Palácio Tiradentes provocou mal-estar entre integrantes do partido em Minas Gerais. Petistas mineiros afirmam que a fala foi recebida com surpresa e sem alinhamento prévio com lideranças locais. Nos bastidores, no entanto, já circulam nomes apontados como alternativas ao senador na corrida pelo governo do Estado, entre eles Alexandre Kalil (PDT), Josué Gomes da Silva (PSB) e Gabriel Azevedo (MDB).
Parte do PT mineiro resiste a abandonar a possibilidade de candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo do Estado e afirma que só considerará o cenário encerrado caso o próprio senador ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciem publicamente a desistência.
Nos bastidores, a declaração de Edinho Silva foi classificada como precipitada e gerou irritação entre petistas mineiros. “Edinho fala demais” e “Edinho deixou o PT de Minas na mão com essa fala”, disseram integrantes da legenda.
Apesar do desconforto, integrantes do partido já discutem alternativas para a disputa estadual. Uma ala da sigla avalia que Lula deveria apoiar um nome de fora do PT, repetindo a estratégia adotada em outras eleições estaduais para ampliar alianças. Petistas consideram que o presidente deve avaliar as opções com calma, já que Minas Gerais é um palanque importante para sua reeleição como presidente.
Entre os nomes ventilados está Josué Gomes da Silva. Filho do ex-vice-presidente José Alencar, companheiro de chapa de Lula nos 2 primeiros mandatos presidenciais, o empresário mantém proximidade com o presidente.
Em 2022, chegou a ser cogitado para compor a chapa presidencial como vice e, depois da eleição, para integrar o governo federal. Segundo interlocutores mineiros, Josué recusou convites para preservar sua posição à frente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e evitar a ascensão de grupos bolsonaristas ao comando da entidade.
Outro nome citado é o de Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal e ex-vereador de Belo Horizonte, atualmente filiado ao MDB e pré-candidato ao governo mineiro. Integrantes da política local afirmam que ele “fala bem” e vem ampliando presença nas redes sociais, o que teria chamado a atenção de setores do PT.
Já Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato do PDT ao governo de Minas, segue sendo considerado um dos nomes mais competitivos do campo aliado ao governo federal no estado.
Petistas avaliam, porém, que a relação entre Kalil e Lula sofreu desgaste depois da eleição de 2022, quando aliados do ex-prefeito afirmaram que ele teria recebido menos apoio do Planalto do que esperava na disputa contra Romeu Zema (Novo).
OPOSIÇÃO LIDERA EM MINAS GERAIS
Enquanto petistas afirmam que ainda há tempo para definir um nome competitivo ao governo de Minas Gerais para o apoio da legenda, a oposição liderada pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto, mesmo sem o congressista ter oficializado sua pré-candidatura.
Nos bastidores, a expectativa é que o PL apoie Cleitinho e indique o empresário Flávio Roscoe para compor a chapa como candidato a vice-governador.
Levantamento da Quaest divulgado nesta 3ª feira (28.abr.2026) mostra que o senador Cleitinho tem de 30% a 37% das intenções de voto para o governo de Minas Gerais. Foram considerados 3 cenários de 1º turno com o nome do congressista.
Em um 4º cenário, sem Cleitinho, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) aparece com 18% das intenções de voto, seguido de Rodrigo Pacheco (PSB), com 12%.
A pesquisa da Quaest entrevistou 1.482 pessoas com 16 anos ou mais em 69 municípios de Minas Gerais de 22 a 26 de abril de 2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O grau de confiança do levantamento é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número MG-08646/2026. O estudo custou R$ 233.840,06. Foi pago pelo Banco Genial. Eis a íntegra do levantamento (PDF – 23 MB).
