O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta 4ª feira que a Câmara dos Deputados informe, em 48 horas, qual é a “situação funcional” do deputado federal Mario Frias. O congressista foi intimado para se manifestar sobre possíveis irregularidades em emendas para a produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e não foi encontrado pelo oficial de justiça.
O gabinete do deputado informou que o deputado está em missão internacional nos Estados Unidos e não “há informações sobre a data de seu retorno”. Dino quer que seja esclarecido o período em que foi autorizada a ida do congressista para a missão oficial.
Em 21 de março, Dino pediu que Frias se manifestasse em 5 dias sobre informações levadas pela deputada federal Tabata Amaral (PSB) que apontavam irregularidades nos repasses. No dia 14 de abril, o tribunal foi informado de que Mario Frias não foi encontrado pelo oficial de justiça.
Na 3ª feira (19.mai), o jornal digital The Intercept Brasil revelou que Frias trocou mensagens com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para agradecer o apoio a “Dark Horse”.
Nas conversas de 11 de dezembro de 2024, Frias agradece o apoio de Vorcaro ao projeto. “Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país”, afirmou o deputado. O então dono do Master respondeu que retornaria a ligação mais tarde, e os 2 conversaram por telefone no mesmo dia.
Nas mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil, Frias também escreveu frases como “2026 é nosso” e “Deus te abençoe, meu brother”. Dias depois, em 15 de dezembro, o deputado voltou a procurar Vorcaro e compartilhou com ele uma conversa sua com o diretor Cyrus Nowrasteh sobre a produção de um filme descrito como a história de “um homem comum que se tornou presidente por um milagre”.
Segundo Frias, o diretor pretendia conversar com o ator Jim Caviezel para participar do longa. Nas mensagens enviadas ao fundador do Master, o deputado classificou o projeto como “a maior superprodução de uma história brasileira” e afirmou que o filme seria “um grande milagre” capaz de impactar “milhões de pessoas no mundo todo”.
Em outra troca de mensagens, em 22 de dezembro de 2024, Frias afirmou que o longa representava uma “questão de justiça divina” e que Bolsonaro precisava ter sua “verdadeira história revelada”. Vorcaro respondeu: “Tenho certeza que sim”.
Frias mudou versão
Na semana passada, Frias mudou a versão apresentada anteriormente sobre o financiamento do filme. O deputado havia dito que Vorcaro “não tinha dado um centavo” para a produção. Depois, admitiu que houve recursos ligados ao empresário.
Em nota, Frias disse que não há contradição em suas declarações e argumentou que o investimento não foi feito diretamente pelo Banco Master nem por Vorcaro como pessoa física, mas por meio de uma empresa. Segundo o congressista, o banco nunca apareceu formalmente como investidor do projeto.
Flávio diverge de Frias
A versão, porém, diverge da apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que confirmou a existência de um contrato entre Vorcaro e os responsáveis pelo filme. Segundo o senador, o dinheiro fazia parte de um “patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.
Flávio afirmou que o projeto não utilizou recursos públicos nem verbas da Lei Rouanet. Segundo ele, o contato com Vorcaro ocorreu apenas no fim de 2024, quando “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, e foi retomado após atrasos no pagamento das parcelas necessárias para concluir a produção.
