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“Mundo todo foi surpreendido” pela IA, diz secretário do governo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação), Henrique Miguel, afirmou ao Poder360 que o Brasil não entrou atrasado na corrida pela IA (inteligência artificial). Para ele, “o mundo todo foi surpreendido” pela velocidade de avanço das ferramentas generativas e pelo volume de investimentos das big techs.

Henrique Miguel disse que o crescimento acelerado da inteligência artificial mudou rapidamente a escala da disputa tecnológica global, especialmente depois da entrada de grandes empresas no setor. “A capacidade de treinamento, de formação e mobilização das big techs é impressionante. Elas estão investindo mais do que todos os países”, declarou.

O secretário disse que Estados Unidos e China seguem em posição muito superior em capacidade de investimento, mas ressaltou que o fator que chamou a atenção foi a intensidade dos aportes privados em IA. “O que nos surpreende é o volume extremamente fora da realidade do Brasil, mas também da Europa”, afirmou.

DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

Henrique Miguel declarou que o principal risco para o Brasil é continuar a dependência de tecnologias estrangeiras em áreas estratégicas. A inteligência artificial passou a ser usada em setores como saúde, agricultura, educação, biologia, química e pesquisa científica –o que, para ele, amplia a relevância geopolítica dessa tecnologia.

Segundo Henrique Miguel, a concentração da infraestrutura e das plataformas de IA nas mãos de grandes empresas pode levar a restrições futuras de acesso a tecnologias consideradas essenciais. “Essa dependência agravada pode levar às restrições de acesso de tecnologia em áreas estratégicas que um país precisa e que não vai poder fazer”, afirmou.

E explicou: “Quando você compra realmente um supercomputador, ou compra uma infraestrutura de ponta, ou compra determinados programas, as cláusulas já vêm junto”. 

Henrique Miguel também relacionou a dependência tecnológica à vulnerabilidade cibernética: “Você não tem como se defender se você não usar ferramentas, equipamentos, recursos humanos capazes de criar sua defesa”.

DADOS ESTRATÉGICOS

O secretário afirmou que o governo já transferiu para o Brasil as principais bases de dados consideradas sensíveis, em meio às discussões sobre soberania digital. Segundo ele, Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência) passaram por um processo de atualização de data centers e infraestrutura para manter essas informações em território nacional.

Henrique Miguel disse que existe uma preocupação crescente com a proteção de dados governamentais sensíveis. “Esses dados não podem ficar lá fora de jeito nenhum”, declarou.

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