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Dependência externa em IA amplia risco geopolítico, diz governo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Henrique Miguel, afirmou que a dependência do Brasil de inteligência artificial estrangeira amplia vulnerabilidades geopolíticas e restringe o acesso a ferramentas estratégicas.

Em entrevista ao Poder360, Henrique Miguel destacou que o avanço das big techs transformou o setor em uma disputa global por infraestrutura e controle tecnológico.

O secretário declarou que o volume de investimentos privados dessas corporações supera os aportes de muitos países, incluindo o Brasil e nações europeias. Para mitigar essa distância, o governo federal desenvolveu o Pbia (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial).

O projeto destina R$ 23 bilhões em 4 anos, de 2024 a 2028, para criar uma fonte contínua de recursos públicos e privados. O financiamento utiliza verbas do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) –abastecido principalmente por tributos e royalties de setores como petróleo, energia e telecomunicações– e conta com a participação de estatais.

O Pbia se divide em ações imediatas e estruturantes, atuando em 5 eixos:

  • infraestrutura – focado no desenvolvimento de base tecnológica para a IA nacional;
  • capacitação – voltado para a difusão e formação de profissionais especializados na área;
  • serviços públicos – aplicação da tecnologia para a melhoria do atendimento do Estado à população;
  • inovação – estímulo à adoção da inteligência artificial pelo setor empresarial;
  • governança – apoio ao processo regulatório e à criação de diretrizes seguras para a IA.

O secretário afirmou que o objetivo central é desenvolver soluções que melhorem a qualidade de vida da população.

A expansão da IA em setores como saúde, agricultura e educação aumenta o risco de vulnerabilidade para países sem infraestrutura própria. Limitações impostas por outras nações durante disputas geopolíticas podem atingir a economia digital, o armazenamento em nuvem e as pesquisas estratégicas.

Henrique Miguel disse que a dependência externa pode levar a vulnerabilidades na segurança digital. “Você não tem como se defender se você não usar ferramentas capazes de criar sua defesa”, declarou. 

A soberania e a segurança digital exigem infraestrutura própria para defesa contra ataques cibernéticos globais. Como resposta a essas preocupações, o governo federal iniciou a internalização de bases de dados sensíveis.

Para ele, ataques cibernéticos fazem parte da realidade global e exigem infraestrutura própria, profissionais especializados e mecanismos de recuperação para lidar com essa possibilidade.

O secretário declarou que o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) modernizaram seus sistemas para manter as informações estratégicas hospedadas exclusivamente no território nacional.