A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, afirmou neste sábado (16.mai.2026) que o poder formal na sociedade brasileira é estruturado de forma machista e misógina. A declaração foi feita durante o debate “O poder ainda tem gênero?”, no Festival Fronteiras, em Porto Alegre.
A conferência, promovida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e pelo governo gaúcho, tem programação de 2 dias e reúne mais de 50 especialistas. A ministra falou às 14h, com transmissão ao vivo pelo canal do TJ-RS no YouTube.
Cármen Lúcia disse que os estereótipos impostos às mulheres se fortalecem ao longo da vida. Afirmou que, nas histórias infantis, as mulheres se acostumaram a ouvir desde o berço que haveria sempre um homem para salvá-las. Também declarou ser mentira que todas as pessoas são a favor da igualdade de gênero na prática, pois há sempre ressalvas ou adversidades diante do tema.
A ministra criticou a formação histórica das estruturas de poder do país: “O poder formal, no sentido de submeter alguém a sua própria vontade, foi dado ao homem numa sociedade estruturada de forma machista, de forma sexista, que depois se transformou numa sociedade muito misógina como nós vivemos no Brasil hoje e desde sempre”.
Ao falar sobre violência de gênero, mencionou a persistência de feminicídios diários e disse que agressões contra a mulher são registradas mais de uma vez por minuto.
“Nós, mulheres, na história, caímos e levantamos várias vezes, mas nós mulheres brasileiras estamos aprendendo a cair e levantar mais rápido ainda, nós não ficaríamos no chão, nós não nos deixaríamos morrer”, afirmou Cármen.
