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Produtora de filme de Bolsonaro captou R$ 111 mi em verbas públicas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Produtora de filme de Bolsonaro captou R$ 111 mi em verbas públicas

A Go Up, produtora do filme “Dark Horse”, longa-metragem sobre Jair Bolsonaro (PL), faz parte de uma estrutura empresarial que captou R$ 110,8 milhões em verbas públicas.

Karina Gama, sócia-administradora da Go Up Entertainment, preside outras empresas e organizações culturais que obtiveram R$ 2,8 milhões de emendas parlamentares de deputados do PL e firmaram termo de colaboração de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.

Os números contrastam com a declaração de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que afirmou haver “zero de dinheiro público” na obra cinematográfica sobre seu pai. A declaração de Flávio foi dada como justificativa para o pedido de financiamento feito a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para cobrir despesas do filme.

De acordo com o jornal digital Intercept Brasil, o ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões de fevereiro a maio de 2025. O Intercept Brasil diz ter documentos que comprovam as transações, mas não os publicou e nem detalhou como chegou a essas cifras. Flávio confirmou ter recebido dinheiro de Vorcaro, mas não detalhou os valores.

R$ 2 milhões de Mário Frias

O Instituto Conhecer Brasil, também presidido por Karina Gama, obteve R$ 2 milhões do deputado federal Mário Frias (PL-SP) em 2025, produtor executivo de “Dark Horse”. A verba foi dividida igualmente em projetos de letramento digital e incentivo ao esporte.

A instituição, que se dedica à execução de projetos de educação, cultura e turismo, estabeleceu termo de colaboração para receber R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB). O acordo, também revelado pelo Intercept Brasil, destina-se ao fornecimento de internet wi-fi em comunidades de baixa renda. O chamamento público foi realizado em 2024. Eis a íntegra (PDF – 1,1 MB).

QUINTETO DO PLz

A ANC (Academia Nacional de Cultura), outra instituição sob presidência de Karina Gama, foi beneficiária de R$ 2,8 milhões em emendas destinadas por 5 deputados do PL em 2024.

  • Marcos Pollon (PL-MS) destinou R$ 1 milhão;
  • Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, direcionou R$ 1 milhão;
  • Alexandre Ramagem, que exercia o mandato pelo PL do Rio de Janeiro, destinou R$ 500 mil;
  • Bia Kicis (PL-DF) direcionou R$ 150 mil;
  • Gil Diniz (PL-SP), deputado estadual, destinou R$ 200 mil.

A destinação foi para a produção da série documental Heróis Nacionais – Filhos Do Brasil Que Não Se Rende”.

ação no STF

Os repasses ligados a Karina Gama levaram a uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A ação trata dos aportes públicos da Prefeitura de São Paulo e de emendas às organizações ligadas à empresária. O ministro Flávio Dino solicita desde 21 de março explicação de Frias, Kicis e Pollon. Eis a íntegra (PDF – 182 KB).

OUTROS LADOS

O Poder360 entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo, com Karina Gama, via Instituto Conhecer Brasil, e com o deputado Mário Frias. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. Em caso de manifestações, esta reportagem será atualizada.

Em publicação no X na 5ª feira (14.mai.2026), Mário Frias ironizou o vínculo com a Prefeitura de São Paulo.

“O filme já foi acusado de receber dinheiro do Trump, de emenda, da prefeitura de São Paulo, todo tipo de narrativa tosca. Agora tentam transformar em crime a busca por investidores privados em 2024”, disse o deputado.

Na 4ª feira (13.mai), a Go Up Entertainment, diferentemente do que afirmou Flávio Bolsonaro, negou ter recebido “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”. Tampouco citou verbas públicas.

Leia a nota da Go Up na íntegra:

“A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.

“Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.

“A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.

“Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos — sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.

“A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.

“A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações.”

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