A Acelen deve anunciar nas próximas semanas o início das obras de uma mega biorrefinaria que terá capacidade produtiva de 1 bilhão de litros ao ano. A operação do complexo será voltada para a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, em português) e diesel verde.
O novo empreendimento será instalado ao lado da Refinaria de Mataripe (BA), um dos principais ativos controlados pela empresa. A Acelen pretende iniciar ainda em maio ou em meados de junho a fase operacional do projeto, que deve ficar pronto em 2 anos e meio. O orçamento estimado é de US$ 3 bilhões.
“Estamos na reta final, finalíssima, de especificação de engenharia, de início de operação, do início da construção. Mais algumas poucas semanas e a gente já vai anunciar o início das obras, mas estamos numa fase muito avançada”, disse , vice-presidente de Comunicação ESG e Relações Institucionais da Acelen, durante conversa com jornalistas no 3º Fórum Biodiesel e Bioquerosene, em São Paulo.
Quando atingir a capacidade máxima, a biorrefinaria deve produzir 20.000 barris de SAF por dia. O foco será o mercado externo, sobretudo Estados Unidos e União Europeia, afirma Lyra.
A empresa já tem contratos de off-take assegurados para a maior parte da produção do complexo. Nesse tipo de acordo, um comprador se compromete a adquirir uma parte ou a totalidade da produção futura de um vendedor, geralmente antes mesmo de o projeto sair do papel.
Segundo o vice da Acelen, a unidade será capaz de produzir biocombustíveis a partir de óleo de soja, UCO (óleo de cozinha usado) e outros tipos de óleos de origem animal e vegetal.
Uma das principais frentes do projeto é o programa de plantio sustentável de 180 mil hectares de macaúba na Bahia e em Minas Gerais. A iniciativa já está em andamento desde o ano passado e inclui ações de incentivo a pequenos e médios agricultores. A empresa usará o óleo da planta nativa na produção de biocombustíveis em estágios mais avançados do projeto.
“Ele [óleo] vai ser produzido na agricultura em 100% de terras degradadas, em áreas de pastagem degradadas. Todas serão pastagens degradadas, transformadas em floresta de macaúba Costumo dizer que são florestas de bioenergia. E dali a gente colhe, esmaga o frutinho, colhe o óleo, retira o óleo e esse óleo vai ser processado lá em Mataripe”, afirma Lyra.

O SAF, antes chamado de bioquerosene, é um combustível feito a partir de matérias-primas renováveis ou de baixo carbono, como óleos vegetais, resíduos agrícolas, lixo orgânico, etanol ou gases industriais, em vez do petróleo, que é usado no querosene de aviação tradicional.
REGULAÇÃO
O setor de biocombustíveis aguarda a publicação do decreto que regulamenta o mandato da SAF no Brasil. Lyra defendeu a implementação de um arcabouço regulatório que permita que o setor se desenvolva.
“Como a gente está muito focado para fora, isso não tem muito impacto no nosso projeto especificamente. Mas como nós vamos ser um player desse setor, é importante que a regulamentação ocorra para trazer também novos players. Para que a gente tenha um setor com capacidade de produzir no Brasil de forma competitiva e se relacionar para fora com os reguladores globais também de forma relevante”, declarou.

