A Polícia Federal deflagrou nesta 6ª feira (15.mai.2026) a operação Sem Refino para apurar a atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Segundo o g1, o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL) está entre os alvos.
Agentes estiveram no condomínio em que o político mora, na Barra da Tijuca, para cumprir o mandado de busca e apreensão. A ordem foi do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e 7 medidas de afastamento de função pública nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e no Distrito Federal.
A PF disse que as investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo.
De acordo com o g1, a empresa investigada é a Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos. O dono da empresa, Ricardo Magro, também foi alvo da operação desta 6ª feira (15.mai). A PF pediu que seu nome fosse incluído na Difusão Vermelha da Interpol, a lista dos mais procurados do mundo.
Também foram alvos o desembargador afastado Guaraci Vianna e o ex-procurador Renan Saad.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
REFIT
A Refit é liderada por Ricardo Magro, que adquiriu a refinaria fluminense em 2008. O empresário já atuava no setor de combustíveis por meio de rede de postos de combustíveis Tigrão.
É conhecida das secretarias de Fazenda estaduais de todo o Brasil como uma “devedora contumaz” –empresas que reincidentemente deixam de pagar impostos.
Sob a gestão de Magro, a Refit foi alvo de operações policiais e chegou a ser interditada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em setembro e também em outubro do ano passado.
O Grupo Refit foi alvo de uma investigação em 2010 sobre a máfia dos combustíveis no Rio de Janeiro, sob suspeita de realizar uma manobra fiscal na refinaria para importar gasolina sem recolher impostos e vender para distribuidoras.
A refinaria de Manguinhos chegou a perder o refino como sua principal atividade e foi enquadrada pela Secretaria Estadual de Fazenda como uma distribuidora de combustíveis.
Já em 2025, a empresa foi alvo da operação Carbono Oculto, que apura o fornecimento de combustíveis a distribuidoras ligadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em novembro do ano passado, foi alvo de mais uma operação, a operação Poço Lobato. Era investigada por suspeitas de sonegação fiscal, fraude estruturada e ocultação de patrimônio que podem ter causado um prejuízo superior a R$ 26 bilhões aos cofres públicos.
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