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PT orienta militantes a “não exagerar” sobre caso de Flávio com Master

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O PT orientou dirigentes, congressistas e militantes a evitar exageros e ataques pessoais ao comentar o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o coordenador de comunicação do partido, Éden Valadares, a estratégia é se limitar aos fatos públicos já revelados.

“Não precisa criar adjetivos, salgar, exagerar, nada disso. Só a verdade sobre Flávio Bolsonaro”, disse ao Poder360.

A orientação da Secretaria de Comunicação do PT foi dada diante da repercussão dos áudios divulgados pelo Intercept Brasil, nos quais para a produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Depois de negar qualquer vínculo financeiro com Vorcaro, o senador admitiu o pedido.

A orientação busca impedir que o caso seja tratado como perseguição política e reforçar a narrativa de que as investigações seguem curso institucional, sem interferência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu vou insistir na minha tese: falar somente a verdade, apresentar fatos, notícias de imprensa ou falas do próprio candidato. (…) O maior inimigo de Flávio Bolsonaro é a verdade. Basta a gente apresentar ao Brasil quem é ele”, afirmou o coordenador.

O dirigente listou o encadeamento das versões do pré-candidato: negou conhecer Vorcaro, depois admitiu a relação; negou o financiamento do filme, depois confirmou o pedido de recursos; agora, a própria produtora nega ter recebido o dinheiro cobrado.

Outro caso citado por petistas e integrantes do Planalto é o da “rachadinha” na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), envolvendo Fabrício Queiroz, arquivado em 2022.

Nas redes sociais, o ritmo foi intenso. O perfil oficial do PT no Instagram publicou ao menos 8 peças em menos de 24 horas depois do vazamento do áudio —entre reels, vídeos e cards—, todas com foco no caso Vorcaro.

Em uma das postagens, o partido divulgou um versículo bíblico: “Porquanto não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz.” —Lucas 8:17.

A postura do PT também responde a críticas internas por não ter liderado uma ofensiva mais intensa contra Flávio desde o início. A Secretaria de Comunicação tenta agora corrigir o rumo e usa essa e outras denúncias contra o opositor como ponto de virada.

“Este é um fato novo. Isso era uma laranja entalada na garganta da nossa militância”, afirmou ao Poder360 o presidente do PT de São Paulo, deputado federal Kiko Celeguim.

Segundo ele, setores da direita e “até alguns veículos de imprensa” tentaram associar o caso ao governo Lula.

“Essa é a prova de que, na verdade, o governo do presidente Lula desbaratou essa quadrilha”, declarou. Segundo o deputado, a Polícia Federal deve esclarecer “as relações que o Vorcaro foi construindo com o bolsonarismo e setores do Centrão”.

O PT também intensificou a pressão pela instalação de uma CPI para investigar o caso. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, reconheceu que o PT errou ao não assinar o requerimento inicial da CPI do Banco Master, apresentado pela oposição, e afirmou que a base governista deveria ter assumido protagonismo nas investigações desde o início.

Ainda na 4ª feira (14.mai.2026), a bancada do PT e parlamentares de esquerda anunciaram representações à Polícia Federal, à PGR (Procuradoria Geral da República) e pedido de informações à Receita Federal sobre a relação entre Flávio e Vorcaro.

O coordenador de comunicação do partido avaliou que o caso saiu do campo político e entrou no jurídico.

“Na minha opinião, a campanha de Flávio Bolsonaro se tornou um assunto da Polícia Federal e do Poder Judiciário. Ao PT cabe seguir com a orientação que nós, da Secretaria de Comunicação, passamos”, afirmou.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse ao Poder360 que o partido já acionou advogados para analisar medidas judiciais cabíveis. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou que solicitará à Polícia Federal a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro.

Para o advogado Marcos Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas e um dos coordenadores jurídicos da campanha de Lula, o escândalo envolve a família Bolsonaro.

“É o escândalo caindo no colo deles, de onde não deveria ter saído nunca”, disse ao Poder360.


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