A decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a 6ª fase da operação Compliance Zero reproduz diálogos atribuídos a Henrique Moura Vorcaro, pai do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em conversas sobre pagamentos e demandas ao grupo investigado pela Polícia Federal.
Segundo a PF, Henrique atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do grupo conhecido como “A Turma”, identificado como responsável por intimidações, monitoramento ilegal e obtenção de dados sigilosos.
Em um dos trechos citados pela investigação, Henrique afirma: “No momento em que estou é que preciso de vocês.”
Para a PF, a mensagem demonstra que ele continuava recorrendo ao grupo mesmo depois das primeiras fases ostensivas da operação.
Outro diálogo reproduzido na decisão trata de pagamentos para manutenção da estrutura investigada.
Segundo o documento, Marilson Roseno da Silva, indicado como líder operacional de A Turma, pediu que Henrique não o deixasse “à deriva” e afirmou estar “segurando uma manada de búfalo”.
Na sequência, Henrique responde que receberia recursos “na 5ª ou 6ª feira” e que faria o envio de “400”. Em seguida, Marilson afirma que o ideal seria o repasse de “800k”.
Segundo a PF, as conversas indicam que Henrique participava diretamente da sustentação financeira da estrutura criminosa investigada.
A decisão afirma que os valores discutidos são compatíveis com pagamentos mensais identificados pela investigação para manutenção do grupo.
A PF também aponta que Henrique manteve contato frequente com integrantes da organização mesmo após fases anteriores da Compliance Zero, além de trocar números telefônicos com frequência e utilizar linha registrada na Colômbia.
Segundo os investigadores, A Turma era composta por policiais federais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho e outros colaboradores usados para monitorar, intimidar e pressionar adversários ligados ao caso Banco Master.
A operação desta 5ª feira (14.mai.2026) resultou na prisão de Henrique Vorcaro e de outros investigados ligados aos grupos A Turma e Os Meninos, núcleo especializado em ataques cibernéticos e invasões telemáticas.
Os investigadores apuram suspeitas de organização criminosa, ameaça, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Ao Poder360, a defesa da família de Vorcaro informou que não irá se manifestar sobre a operação. O jornal digital tenta contado com os demais alvos da investigação. Em caso de envio de manifestação, esta reportagem será atualizada.
O QUE É INVESTIGADO
A investigação também indica que Henrique participava da sustentação financeira da estrutura criminosa. Conversas interceptadas mencionam repasses de R$ 400 mil e discussões sobre pagamentos de até R$ 800 mil para manter as atividades do grupo.
Integrantes do grupo A Turma estão entre os alvos da ação. Segundo a PF, a organização atuava para monitorar, intimidar e pressionar adversários e críticos ligados ao caso Banco Master. O núcleo seria composto por policiais federais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho e outros colaboradores responsáveis por ameaças presenciais, levantamentos clandestinos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
Outro núcleo investigado, chamado “Os Meninos”, seria especializado em ataques cibernéticos, derrubada de perfis em redes sociais, monitoramento telemático ilegal e invasões digitais. Segundo a investigação, o grupo atuava para proteger interesses ligados a Daniel Vorcaro e ao núcleo central da organização.
A investigação também apura o envolvimento da delegada da PF Valéria Vieira Pereira da Silva e do agente aposentado Francisco José Pereira da Silva em suposto repasse de informações sigilosas obtidas por meio do sistema e-Pol.
Henrique Vorcaro era presidente da Multipar. Segundo o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a empresa movimentou mais de R$ 1 bilhão de 2020 a 2025 exclusivamente entre contas ligadas a Daniel Vorcaro.
Os investigadores apuram suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
ALVOS DA OPERAÇÃO
A PF pediu a prisão preventiva de 7 investigados. Eis quem são:
- Henrique Moura Vorcaro – pai de Daniel Vorcaro; indicado como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do grupo;
- David Henrique Alves – identificado como líder do núcleo hacker “Os Meninos”;
- Victor Lima Sedlmaier – investigado por atuar como operador auxiliar do braço digital do grupo;
- Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos – indicado como integrante do núcleo de monitoramento telemático ilegal;
- Manoel Mendes Rodrigues – descrito pela PF como operador do jogo do bicho e articulador de ações intimidatórias no Rio de Janeiro;
- Anderson Wander da Silva Lima – agente da Polícia Federal da ativa suspeito de realizar consultas indevidas em sistemas internos;
- Sebastião Monteiro Júnior – policial federal aposentado indicado como integrante do núcleo “A Turma”.
Além dos pedidos de prisão, a PF solicitou medidas cautelares contra outros investigados. São eles:
- Erlene Nonato Lacerda;
- Helder Alves de Lima;
- Katherine Venâncio Telles;
- Valéria Vieira Pereira da Silva – delegada da PF suspeita de repassar informações sigilosas;
- Francisco José Pereira da Silva – agente aposentado investigado por acesso indevido a dados reservados;
- Marilson Roseno da Silva – indicado pela PF como líder operacional da “Turma”.
Ao Poder360, a defesa da família de Vorcaro informou que não irá se manifestar sobre a operação. O jornal digital tenta contado com os demais alvos da investigação. Em caso de envio de manifestação, esta reportagem será atualizada.
Entenda a operação
A operação Compliance Zero investiga uma suposta estrutura paralela montada para proteger interesses ligados ao caso Banco Master. Segundo a PF, a organização seria dividida em 2 braços principais:
- “A Turma”: núcleo voltado a ameaças presenciais, intimidação, monitoramento de alvos e obtenção ilegal de informações sigilosas;
- “Os Meninos”: grupo especializado em ataques cibernéticos, derrubada de perfis, invasões telemáticas e monitoramento digital clandestino.
A investigação indica que os grupos atuavam de forma coordenada, com uso de policiais federais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho, hackers e empresas usadas para movimentação financeira e ocultação de pagamentos.
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