O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em entrevista ao canal Globonews nesta 5ª feira (14.mai.2026) que é “mentira” a afirmação de que recursos de Daniel Vorcaro, fundador do banco Master, foram usados para financiar o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. Essa é uma das linhas de apuração da Polícia Federal.
Segundo o senador, os investimentos de Vorcaro estão ligados exclusivamente a um investimento privado para a produção de “Dark Horse”, filme biográfico sobre o ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL). Ele disse que não há “nada a esconder” e que a captação foi feita com recursos privados, sem uso de incentivo público. “Fiz algo normal”, declarou, ao negar qualquer irregularidade.
Flávio também disse que não houve doação ou favor, mas sim um investimento com expectativa de retorno. Afirmou que Vorcaro “não é banqueiro enrolado, é investidor de filme”.
Segundo o senador, o filme é uma “mega produção hollywoodiana”, com tecnologia de ponta, pensada como homenagem ao pai, quem descreveu como “vítima de perseguição” e “honesto”. Disse que a iniciativa era um “sonho” que justificava a busca por investidores.
DINHEIRO DE VORCARO
Flávio confirmou que houve transferências financeiras de Daniel Vorcaro. Disse que foram integralmente destinadas ao filme, por meio do fundo do advogado de seu irmão.
Segundo reportagem publicada 4ª feira (13.mai) pelo jornal digital Intercept Brasil, trata-se do Havengate Development Fund LP, com sede no Texas (EUA), registrado na SEC (Securities and Exchange Commission). O advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto, atuava como gestor do fundo. Flávio declarou que ele é pessoa de sua confiança.
O senador também declarou que não havia divulgado esse contato com Vorcaro porque havia “cláusula de confidencialidade no contrato do filme”, o que o impediu de divulgar detalhes anteriormente. Disse ainda que Vorcaro descumpriu o acordo e que outros investidores assumiram o aporte, encerrando a relação.
De acordo com o Intercept Brasil, Flávio negociou no início de 2025 o pagamento de US$ 24 milhões (o equivalente a R$ 134 milhões de acordo com a cotação da época) com Vorcaro.
Registros de conversas no WhatsApp e áudios indicam que Vorcaro se comprometeu a transferir o dinheiro em 14 parcelas. Mas somente US$ 10,6 milhões (o equivalente a R$ 61 milhões de acordo com a cotação da época) foram pagos de fevereiro a maio de 2025.
O Intercept Brasil diz ter documentos que comprovam as transações, mas não os publicou e nem detalhou como chegou a essas cifras. Flávio tampouco detalha os valores que pediu e recebeu, apenas confirma que houve a negociação.
APROXIMAÇÃO
O contato com Vorcaro, segundo Flávio, ocorreu em dezembro de 2024, por intermédio do empresário Thiago Miranda, então dono do Portal Leo Dias. Flávio disse que o contato se restringiu ao tema do filme. Ele afirmou que, à época, enfrentava dificuldades para captar recursos no Brasil e atribuiu o cenário a uma perseguição da Polícia Federal a opositores durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
