Antes de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se manifestar publicamente nesta 4ª feira (13.mai.2026) sobre o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, o blogueiro Allan dos Santos publicou em seu perfil no Instagram, um vídeo antecipando qual deveria ser a estratégia de defesa do senador.
O caso veio à tona com reportagem do jornal digital Intercept Brasil, que publicou a negociação de Flávio com o fundador do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). No vídeo, Allan pede que Flávio “fale abertamente” sobre o caso e use a oportunidade para cobrar por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Master. A estratégia foi seguida pelo senador.
“Ele [Flávio] não estava pagando dinheiro de nenhum pagador de impostos. Ele estava pedindo dinheiro para um empresário, e não dinheiro da Lei Rouanet”, afirmou Allan.
O mesmo argumento foi usado por Flávio em nota: “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”.
Allan dos Santos é um dos representantes mais fiéis do bolsonarismo radical. Ele está nos Estados Unidos e é crítico de parcela da direita que ainda não embarcou na pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
Assista ao vídeo (2min02s):
ENTENDA O CASO
Mensagens vazadas da conversa entre Flávio e Vorcaro mostraram negociação de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época), divididos em 14 parcelas, para a produção de “Dark Horse”.
De acordo com o texto, o ex-banqueiro transferiu US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões na cotação da época), de fevereiro a maio de 2025. Em novembro, Flávio cobrou o repasse do restante dos recursos prometidos. A cobrança foi feita 1 dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal.
O Intercept Brasil diz ter documentos que comprovam as transações, mas não os publicou e nem detalhou como chegou a essas cifras. Flávio confirmou a negociação, mas não detalhou os valores que pediu e recebeu.
Em um áudio de 8 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro cobrou Daniel Vorcaro manifestou preocupação com o pagamento e disse que um eventual calote à equipe causaria um efeito contrário ao planejado para a obra, que visa a exaltar a trajetória de seu pai.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse.
Ouça o áudio:
📹#vídeo Intercept vaza áudio atribuído a Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro
🎶Áudio atribuído ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) mostra o senador pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
👇Assista ao vídeo: pic.twitter.com/mbbLYDQ9gu
— Poder360 (@Poder360) May 13, 2026
Segundo a reportagem, os repasses foram feitos por meio do Entre Investimentos e Participações. As transferências foram direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, localizado no Texas, Estados Unidos. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado fedetal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão mais novo de Flávio, está entre os agentes do fundo.
Em 16 novembro de 2025, Flávio enviou uma mensagem de apoio a Vorcaro, tratando-o como “irmão” e afirmando que estaria ao seu lado “sempre”. No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na operação Compliance Zero.
Flávio Bolsonaro afirmou em nota nesta 4ª feira que é “fundamental a instalação” de uma CPI do Banco Master. Segundo o senador, o caso se trata de um “filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, sem o uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet”.
Leia a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”


