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Ouça Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para filme de Jair Bolsonaro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

Registros de áudio e mensagens no WhatsApp revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). As informações foram divulgadas pelo jornal digital Intercept Brasil nesta 4ª feira (13.mai.2026). Flávio, filho mais velho de Jair e pré-candidato à Presidência da República, confirmou a veracidade do áudio

Segundo a reportagem do Intercept, Flávio pediu em 2025 US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época). Vorcaro se comprometeu a pagar o montante em 14 parcelas, mas somente US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões na cotação da época) foram repassados. O senador, apesar de confirmar o pedido, não mencionou valores.

Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio a Vorcaro. No registro sonoro, o senador cobrou o pagamento de parcelas atrasadas relacionadas ao filme. Ele demonstrou preocupação com os atrasos. Alertou sobre as consequências negativas que um não pagamento poderia gerar para a produção.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio no áudio.

Ouça o áudio (1min37s): 

📹#vídeo Intercept vaza áudio atribuído a Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro

🎶Áudio atribuído ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) mostra o senador pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

👇Assista ao vídeo: pic.twitter.com/mbbLYDQ9gu

— Poder360 (@Poder360) May 13, 2026

Os repasses foram feitos por meio do Entre Investimentos e Participações, controlada por Antonio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, que também comanda a revista IstoÉ. Em março deste ano, a instituição de pagamentos Entrepay, que pertencia ao Grupo Entre, foi liquidada pelo Banco Central.

As transferências foram direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, localizado no Texas, Estados Unidos. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado fedetal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão mais novo de Flávio, está entre os agentes do fundo.

RELACIONAMENTO

A aproximação entre o senador e o fundador do Banco Master teve início em dezembro de 2024. O empresário Thiago Miranda, que na época era proprietário do “Portal Leo Dias”, atuou como intermediário no contato inicial.

Miranda comunicou a Vorcaro que Flávio Bolsonaro desejava discutir o financiamento da produção cinematográfica. Também mencionou acordos relacionados a publicidade. O empresário informou ao ex-banqueiro que o senador estava “ciente de todos os detalhes”. 

O 1º encontro presencial entre Flávio e Vorcaro ocorreu em 11 de dezembro de 2024, na residência de Vorcaro, em Brasília.

Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro. O senador se referiu ao ex-banqueiro como “irmão” e chegou a declarar que estaria ao seu lado “sempre”. No dia seguinte, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. A prisão foi realizada na operação Compliance Zero.

FLÁVIO RESPONDE

O senador Flávio Bolsonaro afirmou em nota nesta 4ª feira reforçou que é “fundamental a instalação” de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master.

Segundo o senador, o caso se trata de um “filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, sem o uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet”.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou Flávio.

Leia a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:

“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”

OUTROS LADOS

O Poder360 entrou em contato com o empresário Thiago Miranda, com a defesa de Daniel Vorcaro e com o Grupo Entre, mas não obteve respostas até a publicação desta reportagem. Em caso de manifestações, este texto será atualizado.

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