O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou nesta 3ª feira (12.mai.2026) que as acusações feitas contra ele na investigação sobre o Banco Master são um “roteiro absurdo de ficção”. A declaração foi publicada em vídeo divulgado pelo congressista em seu perfil no Instagram.
A manifestação se dá dias depois de Nogueira ter sido alvo de mandado de busca e apreensão na 5ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 7 de maio, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e favorecimento político envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
No vídeo, o senador negou ter recebido valores ilícitos ou cometido irregularidades. “Eu posso garantir: nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade, seja neste caso ou em qualquer outro”, declarou.
Nogueira afirmou que sofre perseguição e questionou o fato de a operação ter começado “por um líder da oposição”.
Ele disse: “Essas coisas não surgem por acaso. Acontece porque estamos num ano eleitoral. As questões técnicas e as provas estão em 2º plano para eles”.
Ao comentar as acusações envolvendo empresas da família, o senador afirmou que os valores citados na investigação representam uma parcela pequena do faturamento dos negócios familiares.
Segundo ele, uma das empresas investigadas –uma rede de concessionárias de motocicletas– movimenta cerca de R$ 400 milhões por ano. “Me acusam de depósito de R$ 3 milhões nessa empresa. Isso é absolutamente comum em empresa dessas”, afirmou.
Ligação com o Banco Master
A investigação da PF sustenta que Daniel Vorcaro teria concedido vantagens econômicas ao senador em troca de atuação favorável a interesses do grupo econômico ligado ao Banco Master.
Entre os principais pontos investigados está uma emenda apresentada por Nogueira à PEC da autonomia do Banco Central, que ampliava a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Segundo a PF, o texto da proposta teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado ao senador e reproduzido “de forma integral” no Senado. Mensagens reproduzidas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça mostram Vorcaro afirmando que a emenda “saiu exatamente” como ele havia mandado, de acordo com os investigadores.
No vídeo, Ciro Nogueira voltou a defender a proposta e disse que reapresentará a emenda para elevar a cobertura do FGC. Segundo ele, a medida busca proteger correntistas e pequenas empresas em casos de quebra bancária.
“Agora não existe mais Banco Master. Quero ver qual vai ser a desculpa dos grandes bancos para negar essa proteção aos correntistas brasileiros”, afirmou.
O senador também comparou a atual investigação a uma operação da PF realizada em 2018, 10 dias antes das eleições daquele ano. Disse que, na época, foi acusado de receber malas de dinheiro e caixa 2, mas declarou que a Procuradoria Geral da República concluiu não haver provas suficientes para sustentar as acusações.
“Para acusar, a criatividade é infinita. Na hora de comprovar, não conseguiram e não conseguirão”, declarou.
A publicação do vídeo se dá depois de mudança na defesa do senador. Na 2ª feira (11.mai), o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, deixou o caso em comum acordo com o congressista. No mesmo dia, Nogueira anunciou a contratação do criminalista Conrado Gontijo para conduzir sua defesa no caso Master.
A defesa do senador afirma que ele “não teve qualquer participação em atividades ilícitas” e sustenta que as medidas da investigação foram tomadas com base em “mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros”.
Assista ao vídeo publicado por Ciro Nogueira (6min46s):
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