O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou, nesta 6ª feira (8.mai.2026), que as tensões geopolíticas globais deslocaram o debate sobre stablecoins (criptomoedas com valor estável) do centro das prioridades dos reguladores, de acordo com informações divulgadas pelo Estadão Conteúdo. Segundo ele, antes do aumento dos conflitos internacionais, os riscos e oportunidades dessas criptomoedas estavam no “topo da mente” das autoridades monetárias.
Galípolo deu a declaração na abertura da palestra da presidente do BCE (Banco Central Europeu), Christine Lagarde, no I Fórum Econômico do Banco da Espanha para a América Latina, em Madri. O brasileiro destacou que o cenário global atual exige maior coordenação entre os supervisores financeiros.
ALINHAMENTO COM O BCE
Galípolo elogiou a liderança de Christine Lagarde, chamando-a de modelo para os demais banqueiros centrais. Afirmou que a comunidade de reguladores compartilha de um mesmo “estado de espírito”, pautado pela vigilância constante diante dos indicadores econômicos e das notícias recentes.
De acordo com o presidente do BC, a experiência de Lagarde é fundamental para orientar os países em momentos de crise. Ele concluiu afirmando que o humor dos presidentes de bancos centrais é unido pela preocupação com a estabilidade financeira global.
REGULAMENTAÇÃO DOS MERCADOS ATIVOS
Ao comentar o mercado de ativos digitais, Galípolo citou a dificuldade em enxergar um modelo de negócios claro para as stablecoins fora do ambiente regulado. Ele afirmou que a inovação tecnológica é bem-vinda quando reduz atritos e custos, mas criticou o uso desses ativos para contornar normas de fiscalização.
O presidente do BC disse que o setor não pode oferecer “algum grau de opacidade” às operações financeiras. Para Galípolo, é necessário que os reguladores consigam sincronizar movimentos para enfrentar a volatilidade do mercado atual, o que ele classificou como navegação em “águas turbulentas”.
